Os Melhores Discos de 2013 - Parte II

Então pessoal, ontem  o Maurício botou a primeira parte dos melhores de 2013. Como nós montamos a lista juntos e tivemos muitos nomes e alguns deles em comum, resolvemos fazer em 2 partes. Boa parte das bandas que ia citar já estão no post anterior que você pode conferir aqui, por isso vou focar em outras bandas e linhas de som nesse post, pois realmente escutei muita coisa esse ano. Como tenho uma mania de organização, vou dividir o post em seções, começemos pela primeira:

REVELAÇÕES DO ANO


SHIT HEROES - MMXIII


O Grupo paulistano faz um negative hardcore violento e pertubador, na linha da nova geração de som caótico como Weekend Nachos, Dead In The Dirt e até uma distorção que poderia fazer parte de um álbum do Rotten Sound. Produção barulhenta, microfonias constantes, noise, samples doentios e letras abrasivas permeiam esse álbum. Você pode apreciar (e baixar de graça) nesse belo link aqui.

GOD DEMISE - GOD DEMISE


Vindos do Belo Horizonte, o God Demise é outra dessas bandas que está divulgando o hardcore "bad vibe" no Brasil. Para aqueles que sentem falta de bandas como Cursed nesse mundo, acho que os mineiros podem matar sua saudade, hardcore sludge cretino e arrastador de corrente. Não duvido que essa turma chame a atenção da geração "Cvlt Nationcore" lá fora e consiga uma boa notoriedade, você pode escutar e baixar o trampo dos caras aqui.

ALÉM DO FIM - ALÉM DO FIM (EP)


Sim, é uma banda nada típica do repertório que apresento no blog, essa turma de Porto Alegre . O som da banda é um metalcore com influências do tal do "Djent" (uma subcultura que, assim como powerviolence e d-beat, acabaram virando um "gênero" musical pelo uso constante e errôneo do termo), que usa uns tempos quebrados, guitarras de 7/8 cordas em afinações baixas e blá blá blá. Influenciado pelas novas gerações do metalcore de grupos como While She Sleeps, Northlane e Volumes. Apesar de soarem "acessíveis", noto que há um pouco de criatividade e referenciais curiosos, algo que realmente falta nessas gerações mais novas. Recomendo nem que seja apenas pela curiosidade, legal mesmo de ver bandas de uma zona que muitos acham "mainstream" com algo interessante a mostrar.Você pode baixar o EP neste link.

WOLFNOTE - DEMO


Se lembram do Harm's Way? O guitarrista Bo Leuders criou uma banda de emo/pop punk chamada Wolfnote, para quem é fã de nomes como Fugazi, Embrace, Sunny Day Real State é um prato cheio. Músicas simples com melodias cativantes, não tem muito o que falar, apenas apreciar. Você pode escutar e baixar a demo aqui.

EP'S DO ANO:


SICK VISIONS - IRRATIONAL


Vindos de Volta Redonda, o Sick Visions conta com membros do Deaf Kids, Alchemists, Homem Elefante e o vocalista da banda yankee Prothestics. Os caras fazem uma mistura de hardcore e rock'n'roll na linha de bandas como Poison Idea, Burning Love e o Black Flag na era pós Slip it In. Neurótico, catártico, cheio de energia e raiva no coração, você pode baixar e escutar o EP dos caras aqui. (não tinha link de nada do Ep no youtube e não conseguia embedar o player do bandcamp aqui, falha nossa.)

HARMS WAY - BLINDED


A trupe SxEx de Chicago acerta na jugular da sociedade novamente. Saindo dos ares mais groovados e moshcoreiros do álbum anterior, Harms Way dessa vez mistura o hardcore com alguns elementos industriais e efeitos de pedais com a pegada e fúria do Death Sueco. Nessa cruza de Godflesh com Dismember e Merauder, temos uma das pedradas do ano nesse EP. Curioso se a fórmula vai persistir num futuro álbum.

BROKEN CROSS - ANTI HUMAN LIFE


Broken Cross é uma one man band sueca que faz um metal punk lo fi, com influência de nomes como Power From Hell, GISM, Zouo e Hellhammer. O EP contém cinco faixas que demonstram riffs e solos pegajosos, produção crua e atolada em reverb. Apreciem essa monstruosidade e baixem ela neste link.

RINGWORM - BLEED


Com sua mistura de crossover/hardcore impiedosa, o Ringworm acerta lindamente com esse EP. Mosh seguido de mosh em cada faixa, além de um cover MAGNÍFICO do Discharge. Human Furnace e seus comparsas nunca decepcionam!  

ARMAGEDOM - GANÂNCIA IRRACIONAL EXTINÇÃO INEVITÁVEL


Armagedom é uma das minhas bandas nacionais prediletas, esse EP é um dos bons motivos para justificar o porque curto demais essa banda. Visceral, direto, na cara e sem frescura, os vocais de Renato Gimenez (Social Chaos,Kroni) estão massacrantes, música para agitar a sua vida crust monocromática. Baixe/escute aqui e aprecie THE REAL DEATHCORE!

FALL OUT BOY - PAX AM DAYS (a.k.a. menção honrosa)


Isso mesmo, Fall Out Boy tocou hardcore um dia! Piadas a parte, confesso ter torcido muito o nariz quando ouvi falar da existência desse EP. Porém devido ao histórico da banda antes do F.O.B. (Patrick Stump, vocalista da banda, já tocou bateria para diversas bandas de fastcore em Chicago) e do fato do grupo ter sido formado das cinzas do Arma Angelus, acho que os garotos caidões merecem uma menção honrosa nessa lista. Pois é um EP com músicas interessantes, ainda mais sabendo de quem veio.

ÁLBUNS DO ANO:


INTEGRITY - SUICIDE BLACK SNAKE



Em posts anteriores já comentei a história e unicidade dessa banda. Apesar de usar músicas do EP Detonate Worlds Plague/Thee Destroy+ORR. A dupla dinâmica de Dwid Hellion e Robert Orr fizeram um álbum impecável, a mistura de hardcore com o metal punk japonês de nomes como GISM e Zouo está atingindo seu ápice neste álbum. Além disso, há novos elementos como a balada blues que é "There Ain't No Living In Life" com direito a harmonica! Esse álbum é realmente o aperfeiçoamento da nova era do Integrity, viúvas da era Melnick continuarão reclamando, fazer o que...

NAILS - ABANDON ALL LIFE



Nails é uma banda Californiana que faz uma mistura brutal de hardcore, grind, death metal e powerviolence. Abandon All Life não deixa sobreviventes, menos de 18 minutos e você sentirá o inferno possuir seu corpo e mente nesse álbum. A obra toda é perfeita, mas os destaques vão para a faixa título do disco, Wide Open Wound e Absolute Control. Tire os móveis da sala e pedestres desavisados do seu bairro na hora que escutar esse turbilhão de violência sonora. Definitivamente o disco mais BRUTAL de 2013!

TESLA BOY - THE UNIVERSE MADE OF DARKNESS


Sei que pode parecer chocante, mas eu AMO synth pop/new wave e afins. Mas de 2011 pra cá está havendo um boom desse gênero musical no mundo. Gravadoras como Valerie e Italians Do It Better espalham a volta da alma oitentista no mundo pop. Nessa onda toda surgiu o Tesla Boy, esses russos tem o charme e upbeat de grupos como Duran Duran, Information Society e Depeche Mode. "The Universe Made Of Darkness" tem tudo que uma danceteria precisa, refrões grudentos e carismáticos. Músicas como Fantasy, 1991  e M.C.H.T.E. vão te fazer sair dançando de roller blades por aí com o mp3 em mãos, óculos gigantescos, shorts com cores neon e um cabelo aerodinâmico!

CHELSEA WOLFE - PAIN IS BEAUTY


Em tempos de Lanas del Rey, Beyonces, Ke$has Lady Gagas e essas "divas", Chelsea Wolfe é uma brisa fresca de inovação e atmosfera. Representando o lado alternativo das "musas pop", Pain Is Beauty é um álbum melancólico, emocional, atmosférico e introspectivo. Desde faixas eletronicas, passando por guitarras, crescendos, coros, new age e world music. Destaques são as faixas We Hit A Wall, Destruction Makes The World Burns Brighter e Feral Love. Chelsea será a Jarboe e Zola Jesus da geração Y.

HOAX - HOAX


Vindos de Boston, o Hoax é provavelmente a banda mais agressiva, doentia e crua do hardcore  atual. O quarteto já vinha chamando atenção pelos seus EP's auto intitulados, com suas letras raivosas, produção crua e as performances violentas no palco. Nota-se a influência de nomes como Die Kreuzen, SS Decontrol e aquele toque de maldade típica de um Hellhammer, o Hoax é o hardcore na sua forma mais primitiva, doente e odiosa. Enquanto o Nails te atinge feito uma patrola e te nocautea sem saber, o Hoax é uma espécie de veneno lento, corrosivo e torturador. O disco mais doentio que saiu esse ano na parte do HC.Se quer a prova, eles liberaram para download nesse link.

CARRION SUNFLOWER - THE ROMANTIC YOUTH OF JESUS


Carrion Sunflower é um projeto acústico vindo de Berlin, fazendo um folk depressivo, simples e emocionalmente carregado. Diferente da onda neofolk, que procura misturar andamentos marciais, orquestras e industrialismos, esse álbum é apenas uma voz, um violão e uma produção completamente lo-fi. Lembrando muitas vezes as gravações de Charles Manson (que não duvido ser a influência desse projeto), dando aquele ar de calmaria, porém seguidas de uma desolação. Um belíssimo álbum.

CORRECTIONS HOUSE - LAST CITY ZERO


Corrections House é um "supergrupo" formado por Mike Williams (Eyehategod), Scott Kelly (Neurosis), Bruce Lamont (Yakuza) e Sanford Parker (Minsk). Difícil explicar que música eles fazem, é algo experimental, novo, atmosférico e opressivo/inspirador. Há elementos de Drone, de Doom, de Industrial, até Folk isso tem. Não vou mentir que é um dos álbuns mais únicos que saiu esse ano, pegamos a atmosfera do Pink Floyd da era Barrett, misturamos com os riffs simples do Neurosis e o industrial bizarro do Skinny Puppy e você poderá chegar PERTO de entender o que é isso. É um daqueles álbuns que precisará de alguns anos para ser considerado um clássico incompreendido, pois realmente é algo além do nosso tempo.

DEAF KIDS - THE UPPER HAND


Dovglas nos supreende mais uma vez, Deaf Kids é um dos novos nomes mais incríveis que surgiu nesses últimos tempos do Brasil. Conhecidos pelo seu crust reverberado e vocais black metaleiros, o Deaf Kids foi um passo adiante nesse primeiro Full Length. Nota-se novos elementos e influências como Swans na faixa I'm Yours e Drugged With Happiness, sem falar da faixa título da obra que soa como um Sleep versão niilista, pura raiva Sludge/Stoner. Porém o d-beat ainda esta lá, e mais furioso que nunca, a produção está completamente cavernos, houve um amadurecimento muito grande nas composições, uma jornada no inferno da existência moderna. Tive com eles o mesmo problema do Sick Visons em embedar os links, mais uma vez, falha nossa. Mas pode conferir o álbum e baixar ele aqui.

TOXIC HOLOCAUST - CHEMISTRY OF CONSCIOUSNESS


Vou ser sincero com vocês: Thrash Metal é gênero de metal extremo que menos me atrai, talvez porque meus primeiros contatos foram com o Big Four e me senti forçado a escutar mais quando teve o revival thrasher, mas nunca me descia muito bem. Raras eram as bandas que me faziam pirar, e Toxic Holocaust é uma delas, talvez pelo fato de que a veia punk que eles tem é mais forte que a tendência metal. Nesse ano Joel Grind e sua turma lançam o Chemistry of Consciousness que, ao meu ver, é o álbum mais "técnico" deles, isso significa que o som ficou tedioso? MUITO PELO CONTRÁRIO. As músicas tem bem mais riffs que antes sim, mas é um riff mais porrada na cara que o outro, d-beat comendo solto e dentes voando para todos os lados. Acho que o clipe e a música acima é tudo que você precisa saber de motivação para escutar esse disco. Toxic Holocaust é uma das pouquissimas bandas que fica mais pesada e brutal conforme os anos, que eles nunca "amadureçam" como seus colegas thrashers. (né Evile?)

SOROR DOLOROSA - NO MORE HEROES


Soror Dolorosa é uma banda francesa, que faz um pós punk/darkwave na linha do Joy Division, Ayslum Party e os primeiros discos do The Cure, esse é o segundo full length dos caras. Saindo um pouco dos ares ecoados e clima "Disintegriation" do Blind Scenes, o No Mo Heroes é um álbum mais variado e único, desde músicas mais upbeat como The Figure Of The Night  e o seu refrão crescente, a balada quasi dream pop que é Motherland e o goticismo de Hologram que orgulharia o Sisters Of Mercy. Além das músicas citadas, os outros destaques ficam para Sound & Death e A Dead Yesterday

Então é isso minha gente, feliz ano novo e esperamos continuar lhes compartilhando mais recomendações de bandas, fazer mais entrevistas e também temos alguns planos especiais que esperamos por em prática a partir do ano que vem. Boas Festas e espero que apreciem as nossas listas, há braços!

Os melhores discos de 2013 - Parte I

Como qualquer blog de música que se preze, nós do Bad Music for Bad People também decidimos fazer as nossas listas de "melhores do ano", visando mostrar para você, leitor, um pouco do que rolou de bom no underground esse ano, tanto aqui no Brasil como na gringa. Nada dos últimos lançamentos do Black Sabbath ou do Motörhead  por aqui - isso deixamos pra Rolling Stone e afins...

Hangovers - Hanga In The Sky With Breads


A Hangovers é uma das minhas bandas preferidas de Porto Alegre. Sempre colo no show dos caras e sou um dos maiores entusiastas do som desde que vi eles ao vivo pela primeira vez em julho do ano passado, inclusive já falei sobre os caras aqui no blog. Quando eu conheci a banda, eram um power trio, com Andrio e Theo nas guitarras e Liege na batera. Sem baixo, nem vocal. Peso e barulheira absurdos. Não tinha como ficar melhor, aparentemente. Mas e não que pra esse ano eles deram um jeito de ficarem mais pesados e barulhentos ainda? Acontece que o Lixo, que tocava na banda antes e se afastou por um tempo, voltou a tocar e hoje a banda tem nada menos que TRÊS guitarristas. O som, que já era algo epifânico, virou um negócio transcendental mesmo, ainda mais sujo, barulhento e pesado.  O novo disquinho da banda, "Hanga In The Sky With Breads", com essa nova formação, já na minha primeira audição conquistou espaço na minha lista de "melhores do ano". Ouça aqui.

Ornitorrincos - Ornitorrincos 7''


A Ornitorrincos é simplesmente uma das melhores bandas de hardcore do Brasil atualmente, e nesse disquinho novo botou pra foder. Com um som meio Black Flag, meio Dead Kennedys, na melhor pegada old school, letras sarcásticas em portunhol e solos dissonantes, isso aqui não tem como não agradar qualquer fã do hardcore americano anos 80. Para pogar muito e fazer voar cerveja! Escute aqui.


Warkrust - Warkrust


E o ano terminou bem para a cena gaúcha com esse excelente lançamento de uma banda nova, formada por ex-integrantes de bandas como Gritos de Alerta, Distrato e Barulho Ensurdecedor. A Warkrust, como o nome próprio nome da banda sugere, faz um crust violentíssimo, com influências de Anti-Cimex, Doom, Disrupt, Discharge e Extreme Noise Terror, absolutamente monstruoso! Essa banda ainda vai dar o que falar. Ouça aqui.

Besta - Herege


Essa banda portuguesa de grindcore com influências crust foi responsável pelo lançamento do disquinho mais brutal desse ano, na minha opinião. "Herege" é pra nenhum fã de desgraceira botar defeito. Músicas rápidas, pesadas, sem frescuras, vocais guturais e rasgados alternando entre si, blast beats, riffs matadores e pra melhorar ainda mais temos até samplers do Zé do Caixão e um cover de Napalm Death! Não perca tempo e ouça essa pedrada aqui.

O Cúmplice/Gracias por Nada - Split 7''


Lançado pelo selo paulista Black Ember Records, esse split reúne duas das melhores bandas nacionais da atualidade: os paulistas d'O Cúmplice e Gracias Por Nada, de Brasília. De um lado, O Cúmplice manda seu crust caótico com muita influência de Black Sabbath e death metal old school, e do outro, o Gracias Por Nada, também crust, mostra um som mais trabalhado, seguindo aquela linha que costumamos chamar de "neocrust", de bandas como Tragedy, His Hero Is Gone e From Ashes Rise. Uma pequena mostra do que a cena underground brasileira tem para oferecer de desgracento, caótico, niilista e misantrópico. Ouça aqui e aqui.

Escuro - Escuro 7''
 

Mais um lançamento da Black Embers Records, o 7'' de estreia da Escuro também não poderia deixar de faltar nessa lista. Essa banda straight edge de São Paulo formada por membros e ex-membro d'O Cúmplice, Jesus Macaco, Discarga, Sick Terror e Decision, manda um hardcore direto e sem frescuras, ou seja, nada dessa palhaçada de youth crew, aba reta, XXL e afins. Além disso, vale prestar atenção nas letras, que tratam de temas bastante atuais e são muito bem sacadas, como "Viúvas da Ditadura" e "O Joio do Trigo". Ouça aqui.

V.A. - Não Somos Os Primeiros, Não Seremos os Últimos


Apesar de algumas polêmicas que se deram recentemente com algumas das bandas que participaram dessa coletânea e com alguns dos organizadores do projeto, esse disco não poderia deixar de estar aqui. "Não Somos Os Primeiros, Não Seremos Os Últimos" mostra o que há de melhor na cena paulista e acredito que seja um marco para o punk e hardcore nacional na atualidade, assim como a coletânea "Conspiração Coração Ao Contrário", que foi lançada em 2010 e já postada aqui no blog, e daqui alguns anos poderá ser equiparada à clássicos como SUB e Ataque Sonoro. Temos aqui 12 bandas das mais diferentes vertentes do hardcore/punk. Do powerviolence ao hardcore old school tradicional, do punk rock ao metal punk, passando pelo straight edge e até pelo post-hc e pós punk, é um registro sensacional que vale a pena ser sacado. Das bandas aqui presentes, destaco O Inimigo, Urutu, Sentenced, Futuro, La Revancha e Gattopardo. Ouça aqui.

Parte Cinza - Parte Um


Essa banda carioca que tem como frontman Cristiano Onofre, mentor dos Quadrinhos Mais Sujos da Face da Terra, manda o legítimo "emotional hardcore", com influências claras de bandas com Embrace, Fugazi, Jawbreaker e Rites of Spring. Canções simples, criativas e viciantes é o que temos aqui nesse excelente registro de estréia do Parte Cinza. Ouça aqui.

 Honorável Harakiri - Os Surdos Herdarão A Terra


Uma das coisas mais interessantes que surgiram em Porto Alegre nos últimos tempos foi a Mansarda Records, um selo virtual especializado em música experimental e improvisação livre. O selo só esse ano teve 25 lançamentos, incluindo este maravilhoso "Os Surdos Herdarão A Terra", do Honorável Harakiri, projeto de free jazz de Diego Dias (sopros, um dos donos do netlabel), Michel Munhoz (bateria, que também toca na Viruskorrosivus e ex-Damn Laser Vampires) e Márcio Moraes (guitarra). O que temos aqui é caótico, anárquico, uma destruição criativa só para os loucos, só para os raros. Ouça aqui e transcenda.

Reiketsu - Cinza


Depressivo, pesado, denso e agressivo. Essas são as palavras ideais para descrever o primeiro disco do Reiketsu, o sensacional "Cinza", uma das maiores pérolas do hardcore nacional desse ano. Seguindo a linha "neocrust" de nomes como Tragedy e His Hero Is Gone, bastante denso e pesado, a banda caprichou no debut. Ouça aqui.

Warcupid - Warcupid 7''


Projeto de crustcore composto de membros das bandas Living In Hell, Homicide e Disarm, com influências de Doom, Crude SS, Discharge e Anti-Cimex. Precisa dizer algo mais? Acho que não. Dê uma provinha aqui, se quiser ouvir o disco todo, terá que comprar a bolacha pela Terrötten Records mesmo. Mas olha, vale a pena! Para ouvir bêbado e destruir!


Violator - Scenarios of Brutality


O Violator já é há muito tempo um dos principais representantes do metal nacional. Mandando um thrash furioso, cheio de influências oitentistas, a banda já tem feito a cabeça de muitos bangers na América Latina. Confesso que nunca fui um grande fã dos primeiros trabalhos da banda, como "Violent Mosh" e "Chemical Assault", apesar de gostar deles, foi à partir do "Annihilation Process" que comecei a dar mais valor e a curtir mais o trabalho dos caras. E "Scenarios of Brutality" é, com certeza, o melhor disco da banda, e um dos melhores discos de thrash metal nacional em tempos. Com um som rápido e agressivo, a temática do disco gira em torno de temas políticos e sociais, denunciando abusos por parte das autoridades e crimes contra a humanidade, o que faz do disco de certeza ser além de o melhor o mais maduro do Violator, fugindo daqueles clichês do "mosh!" e "united for thrash". Ouça aqui

Mudhoney - Vanishing Point


Sou suspeito pra falar do Mudhoney, pois é uma das minhas bandas preferidas de todos os tempos, certamente figurando num top 10. E esse disco foi por mim muito aguardado, pois já tinha ouvido uns sons antes em alguns vídeos de uma apresentação deles na rádio KEXP de Seattle e tinha pirado. Pois a espera valeu e tivemos este que na minha opinião é o melhor disco do ano. Temos aqui o bom e velho Mudhoney em 10 faixas irreverentes, sujas, diretas e sem frescuras. Do jeito que o velho gosta, do jeito que o velho quer! Não tem muito o que comentar, ouça aqui e delicie-se com mais uma grande obra dos mestres de Seattle!

Riistetyt - Korppien Paraati


Os mestres do hardcore finlandês estão de volta e mais pesados e agressivos do que nunca, e mostrando isso com essa patada na cara que é "Korpien Paraati". Misturando o hardcore de sempre com elementos de crust e metal e com uma produção impecável, esse é sem dúvidas o melhor disco crust do ano. O disco completo ainda não está disponível na net (eu tenho a minha cópia, que estou com pura preguiça de copiar pro PC e upar), mas podemos dar uma provinha aqui.

Blank Pages - Blank Pages


Essa foi uma das grandes estreias do ano. Filhos bastardos do Wipers com os Ramones, esse disco de estreia do Blank Pages, banda relativamente nova, de Berlim, é simplesmente sensacional. 10 faixas de puro tesão e paudurescência. Essa banda ainda vai dar o que falar, o disco é simplesmente maravilhoso. Ouça aqui.

Gas Rag - Demo Tape



Vindos de Chicago, o Gas Rag lança um hardcore podraço na linha Poison Ideia nos primórdios. Por enquanto, tem só essa demo tape totalmente lo-fi lançada pela Hardware Records, de 6 músicas, e poucos menos de 5 minutos, no melhor estilo "Pick Your King". Lindo! Ouça aqui.

Bl'ast - Blood


Esse disco na realidade é um remaster do segundo disco da banda, "It's In My Blood", de 1987, feita por ninguém menos que Dave Ghrol. Porém, a coisa ficou tão superior que parece até outro disco. Simplesmente SENSACIONAL! Só posso definir essa porra assim: uma espécie de Black Flag na época do My War, só que muito mais pesado, mais paranoico e mais crackudo. É daqueles discos que você ouve e sente raiva do início ao fim, aquela vontade desgraçada de quebrar todo e destruir as coisas belas que o rodeiam. Ouça essa merda aqui!

Boyz Nex' Door - Radio Honolulu


Presentaço de natal pra vocês! Venho procurando esse disco há anos, e finalmente o achei na internet. E acreditem, não é fácil de achar essa parada aqui não! E como sou um cara legal, e pra compensar a falta de posts também, venho trazer para o blog esta super raridade.

O Boyz Nex' Door foi uma banda italiana de punk rock com diversas influências rockabilly, surf e garage 60's. É como misturar Ramones com algum artista do submundo dos anos 50, como Ronnie Allen ou Hassil Adkins, com Ventures e Sonics! E tudo extremamente lo-fi, claro. Aí temos o Boyz Nex' Door!



"Radio Honolulu" é de 1998 e é o único full lenght dos caras, que além disso, gravou também alguns EP's e singles 7'' e um split 7'' com o The Manges, banda italiana de punk que teve um sucesso muito maior, diga-se de passagem. Não entendo os motivos do Boyz Nex' Door não ter ido pra frente, pois era uma ótima banda. "Radio Honolulu" é um dos melhores discos de rock 'n' roll dos anos 90, sem exageros. É a coisa no seu estado bruto, como tem que ser: sem frescuras, irreverente, sujo, porra louca, frenético, curto e grosso - nenhuma música aqui passa dos dois minutos.

Não tenho mais muito pra dizer, até porque não achei quase nada de informação dessa banda, que parece ser desconhecida até em seu país de origem, mas digo apenas que vale a pena o download dessa jóia rara do rock 'n' roll trasheira, altamente recomendada e indispensável! Baixe essa porra aqui e aproveite!

Mil vezes fazer do que aprender! - Entrevista com Daniel Villaverde


Daniel Villaverde é uma figura icônica no underground gaúcho. Vocalista da Ornitorrincos, dono do selo Punch Drunk e agitador da cena gaúcha desde os anos 90, o cara é um dos maiores entusiastas e conhecedores do underground nacional.

Recentemente, sua banda, Ornitorrincos, uma das minhas bandas favoritas daqui de Porto Alegre, lançou um EP em vinil 7'', de 5 faixas, que com certeza é um dos melhores lançamentos de hardcore do ano. Com uma pegada meio Dead Kennedys, meio Black Flag, e cantadas num portunhol bizarro, essas 5 cantigas do EP 7'' vão proporcionar ao underground gaúcho muito pogo e danças pitorescas em qualquer evento que a banda vier a se apresentar. A bagaça saiu em tiragem limitadíssima pela Punch Drunk Records e pelos selos argentino e europeu Ideas Venenosas e Crapoulet Records, 300 cópias apenas, que já estão quase esgotadas, mas pode ser ouvida de graça no bandcamp da banda. 

Aproveitando a ocasião do lançamento do disquinho, entrevistamos Daniel Villaverde e falamos sobre a banda, seu envolvimento com o underground, sobre o seu selo e diversas marotices. Confira!


Você já em um longo histórico no undeground gaúcho, tendo tocado entre várias bandas notáveis como a Scream Noise, Facão Três Listras e atualmente está tocando na Ornitorrincos, que está na ativa desde 2002 (apesar do hiato entre 2010 e 2012) e hoje tem um certo destaque na cena underground nacional. Como começou seu envolvimento com o underground e o hardcore e como?

Daniel - Com uns 7 anos eu comecei a escutar os vinis do meu irmão mais velho: discos de bandas gaúchas que estavam surgindo na época, como Defalla, TNT, Cascavelletes, Replicantes... Esse foi o meu primeiro contato mais direto com a música. Lembro que a primeira musica rápida, hardcore que eu escutei foi na coletânea "Rock Garagem II" o som "Todo Mundo Saca" do Atahualpa Y Us Panqui. Mas acho que a primeira vez que isso realmente bateu forte em mim foi com 14 anos, escutando o "Fresh Fruit..." do Dead Kennedys, quando um amigo que andava de skate comigo me emprestou. Virou minha cabeça do avesso. Comecei a me corresponder com bandas, fazer zines juntamente com o Gustavo Insekto (baixista da Ornitorrincos), meu amigo de infância. E tô nessa até hoje, por bem ou por mal, hehehe.

O que motivou você e seus amigos a montarem a banda? Quais são as principais influências? Qual é a razão ou motivo da maioria das músicas serem em "portuñol"?

Daniel - A gente notou que não tinha muita banda no Brasil tocando o velho hardcore old school no estilo americano, sempre piramos em bandas como Dicks, D.I, Black Flag, Reagan Youth, T.S.O.L, Germs, Void.... Só para citar algumas. O motivo de cantar em portunhol é porque achamos que o espanhol é uma língua forte para cantar. Gostamos muito de bandas que cantam nessa língua, como o Los Violadores e Massacre Palestina da Argentina, por exemplo. E outra razão é que com o proximidade geográfica e principalmente pela afinidade que temos com as cenas de países vizinhos achamos interessante cantar em portunhol, mesmo que alguns amigos "hermanos" não entendam, hehehe.

A banda permaneceu um tempo parada, entre 2010 e 2012, e vocês voltaram com nova formação. Quais foram os motivos desse tempo parados e o que motivou a banda para retomarem as atividades?

Daniel - Na realidade tivemos dois hiatos: a banda começou em 2002 e parou em 2003, porque Zé Ulisses, o guitarrista, foi morar em Curitiba. Quando ele retornou para Porto Alegre em 2007 retomamos as atividades. Ele saiu da banda em 2010 e voltamos a tocar em 2012 com o velho amigo Guilherme Gonçalves, que acompanha a banda desde o início. Decidimos continuar a tocar, porque é um saco ficar sem tocar, hehehe.


(primórdios...)


A banda recentemente lançou um EP 7'' com cinco faixas (que já esta à venda em Porto Alegre nas lojas Classic & Rock, Tamba Discos e Boca do Disco), e inclusive farão o show de lançamento do EP no dia 12 de dezembro no Signus Pub junto das bandas Viruskorrosivus e Campbell Trio. O EP teve boa recepção do público e já está cativando novos fãs. O que motivou vocês a gravarem este EP e qual foi a reação da banda com essa boa recepção que o disquinho têm recebido? Vocês já esperavam por algo do tipo?

Daniel
- Logo que voltamos a tocar decidimos fazer essas 5 músicas o mais rápido possível e gravar. O disco saiu tem menos de duas semanas e já vendemos muitas copias, tanto pessoalmente como pelo correio. Não esperavamos esse tipo de recepção. Restam poucas copias ainda, já que a maioria ficaram com os selos da Argentina (Ideias Venenosas) e da Europa (Crapoulet Records) que ajudaram a lançar. No show de lançamento vamos estar vendendo à preço promocional! Aproveitem!


Você organiza shows em Porto Alegre com certa frequência já faz um bom tempo, e antes disso já organizava shows em sua cidade natal Santo Antônio da Patrulha, era um fanzineiro ativo nos anos 90 e início dos anos 2000, chegou a ter inclusive loja de discos e fundou um próprio selo, a Punch Drunk Discos, ativo até hoje. Fale um pouco sobre isso tudo:
 
Daniel - Eu comecei a organizar show desde 1995 lá em Santo Antônio, simplesmente pelo fato de não ter shows lá na época: ou a gente morria de tédio, e ficava reclamando, ou a gente se mexia e fazia as coisas acontecerem. Foi o que a gente fez. Tive sorte de passar a minha adolescência numa cidade de interior. Talvez se tivesse morado em Porto Alegre desde novo, eu simplesmente apenas iria nos shows e não me preocuparia em produzir nada. Tive uma loja de discos lá entre 1996 e 1998. Na época o dólar estava baixo e trabalhava com importados, quando o dólar subiu tive que fechar a loja. Foi um bom aprendizado. A Punch Drunk começou em 2003, inicialmente para lançar a demo split do Facão 3 Listras/Garrancho em Lápide. Fui continuando e lancei alguns materiais em CD e vinil. Também lanço alguns discos virtualmente, sempre de bandas de amigos que admiro, tanto as pessoas como suas bandas.

Quais são as perspectivas da Punch Drunk para o futuro? Pretende ainda organizar shows, lançar discos? E quais são os planos da Ornitorrincos agora, depois do lançamento do EP? Fiquei sabendo que a banda fez algumas novas gravações recentemente...
Daniel - A Punch Drunk acabou de ajudar a lançar o novo EP 7'' dos ornitorrincos, não tenho planos para futuro lançamento agora, até porque meio que um lançamento paga o próximo.... Então tenho que terminar de vender as cópias que tenho comigo para lançar o próximo. Shows eu acho que nunca vou parar de organizar. É um vicio, adoro receber as bandas, hospedar o pessoal, mostrar a cidade, etc. Sinto prazer em fazer isso e poder ajudar... E a Ornitorrincos gravou 3 músicas que sairão em um split 7" com a banda francesa La Flingue, que estará em tour pelo Brasil em fevereiro e tocarão em dois shows com a gente aqui. Também temos 3 sons que vamos gravar para um split tape com os Renegades of Punk que sai até metade do ano que vem. Estamos compondo material para um disco inteiro, a ideia é começar a gravar na metade do ano e tentar lançar ele até fim de 2014. Vamos ver!


(Ornitorrincos e Renegades of Punk)

Além da Ornitorrincos, atualmente, você também tem outras bandas paralelas. Fale um pouco sobre algumas delas.

Daniel - Por enquanto na ativa só a Ornitorrincos mesmo. Eu costumava cantar na Podias Erpior, mas o nosso baterista, o Álcio esta morando no Rio de Janeiro agora, o que torna difícil ensaios e shows. Mas queremos seguir tocando. Tenho um projeto de garage 60's que tá na geladeira já tem um ano, espero voltar a ensaiar com ele em breve.

Recomende alguma(s) banda(s) ou disco(s) pra galera marota que acessa o blog.

Daniel - Vou falar o que tá rolando na minha vitrola nessas ultimas semanas:

Wire - "Pink Flag"
Monks - "Black Monk Time"
Modern Lovers - "Modern Lovers"
Black Flag - "In My Head"
Neon Piss - Neon Piss
Tristess - "Hog Lag Blues"
Youth Avoiders - "Youth Avoiders"
Gizmos - "Never Mind the Gizmos"
Nick Drake - "Pink Moon"
Big Black - "Songs About Fucking "
Zombies- "Odessey and Oracle"

Considerações finais: mande beijos, agradecimentos, deixe contato, algum recado aleatório, ou mande todo mundo ir tomar nas pregas. Espaço livre!

Valeu Maurício pela força! É muito bom ver pessoas jovens como você e o Rodrigo fazerem algo pela cena ao invés de ficarem se escondendo e reclamando pelo fecebook! Parabéns! Abração!



Ornitorrincos é:

Daniel Villaverde - Vocal
Guilherme Gonçalves - Guitarra
Gustavo Insekto - Baixo
Lucas Richter - Bateria

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Bandcamp

Skindred - Reggae, Ragga, Dubstep, Metal e um pouco de carimbó

Sim, estamos cientes que o blog tá parado pra caralho nos últimos tempos, porém agora eu pelo menos terei um pouco mais de tempo para postar material e também tenho algumas idéias novas que perpetuarão esse blog logo logo, fiquem ligados!


Mas vamos ao post do dia, nesse clima de verão e férias chegando, acharia legal recomendar algo mais alegre e praiano, porém sem deixar de ser a pancadaria/loucurada transgressiva que o nosso blog sempre recomenda, então vamos a banda de hoje:


Num momento onde o boom do tal New Metal estava no seu ápice, com a mistura de rap com metal e eletronico, usando e abusando de riffs "pula pula" com afinações baixas e o começo da era dos breakdowns, muitas bandas surgiram e boa parte delas foi fadada o esquecimento ou decadência eterna. Porém algumas pouquíssimas bandas sobreviveram de 2008 pra cá sem ficarem tão atreladas a má fama do gênero e tentaram focar para outros gêneros (Linkin Park, Korn) e outras manteram sua fórmula com algumas tentativas de amadurecer seu som (Deftones, Ill Niño, System Of A Down, Slipknot). 

Porém nessa maré toda de bandas que tentaram sobreviver, uma ficou firme e forte e nunca foi muito citada: Skindred. Vindos do País de Gales, a banda faz uma mistura realmente curiosa, ainda mais em um gênero "polêmico" e comercial como o New Metal, mas antes vamos para a história:


Antes do Skindred existia uma banda chamada Dub War, formada em 1993, que fundia o reggae/hardcore do Bad Brains com o funk metal do Living Colour e o rapcore de bandas como Downset. Porém, o destaque ficava com o uso de elementos de jazz, eletrônico, hip hop e breakbeat, sem falar do sotaque extremamente jamaicano do vocalista Benji Webbe, que fazia um diferencial. Em 1998 a banda acabou, porém Benji Webbe não queria parar e logo formou Skindred no mesmo ano, com o guitarrista Daniel Pugsley. Em 2002, entraram o baixista Mikey Demus e o baterista Dirty Aria, a formação consiste na mesma até hoje.


Em 2002 saiu o debut Babylon, mostrando o groove típico do new metal, o ritmo e vocalizações típicas do reggae e ragga, com isso conseguiram fazer uma turnês com bandas como Korn e Soulfly, os singles Nobody e Set It Off atingiram sucesso no meio. Cinco anos depois lançaram o álbum Roots Rock Riot, deixando os elementos de música jamaicana mais evidentes e com uma influência mais forte do hardcore do que metal, com a mídia os comparando com Bad Brains, apesar de Benji achar a comparação rasa demais. Faixas como Destroy the Dancefloor seriam uma prévia do que seria a futura evolução do Skindred.


Em 2009 os galeses voltam com o álbum Shark Bites and Dog Fights, cuja gravação foi feita as pressas, pois faltavam 3 meses para a banda gravar o material e depois sair em uma turnê nos EUA. Os vocais e letras foram escritos e gravados durante a turnê, com o produtor levando equipamentos do seu estúdio junto ao ônibus da turnê e acompanhando a banda. Nesse disco os elementos de música eletronica estão mais presentes, ainda mais as vertentes do drum'n'bass, dancehall e até mesmo dubstep, além de um cover genial de Electric Avenue do músico Eddy Grant (que também misturava reggae com rock, talvez uma alfinetada de Benji na mídia que sempre comparou o Skindred ao Bad Brains).


Dois anos depois saiu o disco Union Black, que focou mais nos elementos de Reggae/Ragga (vide o dancehall que é Guntalk) e também adicionando o dubstep no repertório, sendo o disco com a musicalidade mais variada do conjunto, além de ser o álbum mais pesado deles até agora. Com o uso de tantos efeitos eletrônicos, a banda se sentiu obrigada em colocar mais um membro na formação, o DJ Dan Sturgess.


Em 2014 está previsto para sair quinto álbum do grupo, Kill The Power, com 2 singles já na rede (Ninja e a música que dá título ao álbum), o que se pode esperar é mais Dubstep e o sotaque jamaicano de Benji dominando o álbum.


Para download, lhes deixarei os álbuns Union Black e Roots Rock Riot, que na minha visão, são os álbuns que ilustram melhor o que é o Skindred e o porque você deve ouvir essa banda. Desfrutem isso e louvem Jah enquanto se mosham no meio da areia da praia.

Porto Alegre City Madness


Fala galera! Depois de um tempo sem postar nada, e dessa vez não por preguiça, mas por falta de tempo mesmo, já que agora saí dessa vida de vagabundo, tomei vergonha na cara e arrumei um trampo, voltamos às atividades com um post de uma banda daqui de Porto Alegre que mandou material pra gente postar aqui no blog, a sensacional Motor City Madness.

A banda foi formada em agosto de 2012 e já em outubro do mesmo ano lançaram o EP "Rock 'n' Roll Motherfucker", que gerou uma repercussão bacana e boa visibilidade pros caras, tanto que, já em maio desse ano, com pouquíssimo tempo de estrada, a banda já se tocou pra uma tour na Argentina e Uruguai, além de terem tocado também esse ano em SP e MG, além do festival Autorock em Campinas, e vários shows no RS inteiro, é claro.



A Motor City Madness lançou em setembro seu primeiro disco em setembro desse ano, a patota, que leva o nome da banda mesmo, foi lançada em parceria pela Trashcan Records, Chop Suey Discos, Reverb Brasil e Rastrillo Records (da Argentina) e apresenta 11 músicas do mais bruto rock 'n' roll em seu estado mais primitivo, cheio de influências de punk, garage e mesmo hard rock, além de muita demência, espírito destrutivo, agressividade, riffs malígnos, linhas de baixo incríveis e bateria coesa, tudo isso sempre num ritmo frenético. Ou seja, não tem como ser ruim, ainda mais com as referências de som dos caras, que citam como influência grupos de rock pauleira como Turbonegro, MC5, Descendents, Radio Birdman, Grapamiel e Fernet, por exemplo.

A banda mal completou um ano de existência e já queimou muita lenha, mas mostra que ainda tem mais lenha ainda pra queimar pro ano que vem e pros próximos anos de existência. Uma das maiores promessas da cena porto alegrense e uma das minhas bandas preferidas do underground gaúcho, e que infelizmente ainda não tive a oportunidade de conferir ao vivo, mas espero ter a oportunidade de corrigir esse erro em breve.

Para ouvir o sensacional disco da Motor City Madness (de certeza um dos melhores lançamentos nacionais de 2013), basta acessar o bandcamp dos caras, onde está tudo disponível pra ouvir de graça! Se gostar, curta a página dos caras no facebook e fique ligado nas novidades. Uma ótima pedida para todos os fãs do rock agressivo, sujo, brutal e sem frescurites.



Motor City Madness é:
Sergio Caldas - Guitarra e voz
Cassio Konzen - Guitarra
Rene Mendes - Baixo
Rodrigo Fernandes - Bateria

Bad Music Sessions #2 - Dia dos mortos, noite dos tortos!


Passada a tradicional ressaca de domingo, estou aqui apto para fazer aquela resenha sobre a segunda Bad Music Session, que rolou no Black Stone dia 2 de novembro, sábado passado. 

Pra começar, dessa vez decidimos fazer um evento de peso, porém com variedade mesmo dentro disso, e creio que não poderíamos ter escolhido bandas melhores para essa festa de culto ao capiroto e zueragem. Todas muito competentes naquilo que fazem e todas elas fizeram shows incríveis. Além disso, depois da primeira Bad Music Sessions (14 de setembro), que foram apenas 10 pagantes, nossas expectativas estavam bem baixas. E qual não foi a minha surpresa ao chegar no pico e ter uma cacetada de gente muito antes do evento começar? E o melhor, todo mundo lá agitou muito e transformou o estúdio num caos, e deu até pra pagar as bandas. Tudo foi feito no maior espírito e ética do it yourself, sem panelismos, poserismos ou frescuras. Nada de "minha banda odeia o governo mas quer apoio da prefeitura pra fazer show", ou aquele mimimi de "apoie a cena, vá no show da minha banda" e papos vazios sobre esperança, união, "estou há 50 anos na cena" e essa babaquice total. Só a nata do underground demolindo tudo!

Quem abriu a noite foi a Extr Sicks, que inclusive, estreava nos palcos nesta noite. Com um set curto, a banda mandou ver no seu grindcore foderoso cheio de influências de black metal e crust, com sons muito bem trabalhados, curtos, rápidos, brutais e agressivos. Porto Alegre precisava de uma banda assim, era o que faltava na nossa cena local. Abriram a noite com chave de ouro e já deram gostinho do que iria rolar, e a galera já se esquentou com um pouco da tradicional dança de polga.


Não demorou muito para a Shade of Mankind iniciar sua apresentação. Foi, certamente, a banda mais agressiva da noite, com seu som inrotulável, que mescla tudo que há de extremo e pesado na música. O som dos caras tem influência de tudo: grind, crust, hardcore, black, death, thrash, tudo isso e mais um pouco! Particularmente acho que foi a melhor apresentação da banda que eu já vi. Estão muito mais entrosados, muito mais sujos, brutais e agressivos. Por muitas vezes os membros da banda pareciam possuídos, tinham uma ótima e ameaçadora interação com o público e a galera se quebrou pra caralho no pogo. Rolaram covers de Napalm Death, Integrity, Mortician e Bolt Thrower ,e ainda dei uma participação especial no show em um som dos caras, "Inhuman Rights". A banda terminou sua apresentação no maior clima hardcore nipônico com a épica "Anthem For Blood", com direito até à um solinho power rangers por parte de Zoltar, o novo guitarista da banda, e deram um gostinho do que será seu debut, que se tudo der certo, até o final do ano já estará disponível na internet para ouvirmos.


Encerrando a noite, tivemos a Morterix, lançando em formato físico seu primeiro disco "The Roots of Ignorance". A banda, que já é veterana na cena, fez o show mais agitado da noite. O pogo rolou do começo ao fim, sem trégua, com os tradicionais stage dives no banquinho do teclado. A banda fez um set com músicas que integram o disco e algumas novas, além dos covers, tudo brutal e sem frescura! Nunca me canso de dizer que é uma das melhores bandas de Porto Alegre! Esse sábado, os caras ainda tocam com o Violator em São Leopoldo, e agora você pode adquirir o disco dos caras em mãos nos shows por apenas 10 mangos! 


No final das contas, saiu todo mundo mamado, quebrado e felizão!


Ficamos realmente muito motivados com essa segunda edição da Bad Music Sessions, e iremos continuar organizando eventos e fazendo movimento na cena, quer os autoritários e caga-regras do underground queiram ou não, e não importa a bobagem que disserem! Ano quem vem tem mais Bad Music Sessions, e se tudo der certo, em um pico diferente, com mais bandas e só aumentando o nível!

R.I.P. Lou Reed


Ontem Lou Reed, aos 71 anos, partiu dessa pra melhor. Vi a notícia pelo facebook, e demorou um pouco pra assimilar, pois o Lou era um daqueles caras que a gente achava que iriam viver pra sempre, assim como o Iggy Pop, Lemmy ou Keith Richards. O baque foi grande, e só agora consigui assimilar e aceitar o fato. Falar da obra e da influência de Lou Reed na música é chover no molhado. De sua genialidade, como músico e compositor, idem. Perda inestimável.

Não vou me alongar muito, palavras não tem relevância agora. Deixo aqui apenas a minha homenagem. Que cada vez que sua música toque, onde quer que for, leve mais um ou outro para o "wild side".

R.I.P.









Shade of Mankind is upon our graves! - Entrevista com Roderick Deimos


Formada em 2011 por Roderick Deimos como uma one man band de crust/grind, a Shade of Mankind é uma das bandas mais brutais da atual cena porto alegrense. Desde o EP "Fallout", lançado no final de 2011, Deimos mostrou que veio para a cena para fazer a diferença. O dito EP, totalmente tosco, sujo e pesado, tem um ar sombrio, apocalíptico, puta climão de fim do mundo. Uma espécie de Doom pós-apocalipse com algumas pitadas de Ministry (talvez por conta do "digi-beat", já que foi gravado com bateria programada) e letras totalmente negativas e "na cara", com uma gravação totalmente escrota, mas de alto nível, considerando as condições em que foi gravada (no Audacity e com um mic de PC dos mais fuleiros). Crust!

No início de 2012, a Shade of Mankind deixou de ser um projeto e virou banda, e com isso foi adicionando muito mais influências. O crust e o grind se misturam agora com elementos de death e black metal, hardcore, sludge e tudo que há de desgracento, extremo e podre na música. A banda toca na segunda edição da Bad Music Sessions, junto com os veteranos da Morterix e a Extr Sicks, que estará fazendo seu show de estreia. Fiz uma entrevista com Roderick Deimos, onde falamos um pouco sobre a Shade of Mankind, uma banda que tem muito à dizer e que está na cena para fazer a diferença, para fazer com que o hardcore e o metal voltem a ser uma ameaça.


A Shade of Mankind é uma banda que tem influências diversas, indo do black metal até o crust, passando pelo grind, death, hardcore e até mesmo pelo punk japonês e o metalcore de bandas do H8000. De onde partem todas essas influências? Cite as bandas que você considera uma referência para o som da Shade of Mankind.

Deimos - Bem, sempre fui uma pessoa que curtiu música dos mais variados gêneros e tô SEMPRE querendo botar algum detalhe diferente ou referencial em minhas músicas. Até porque o próprio conceito da Shade Of Mankind é criar o som mais agressivo, catártico e perturbador possível, logo misturar gêneros com essas características é inevitável, não podemos ser impactantes se ficarmos nos baseando em fórmulas prontas.

Quanto a bandas que nos são referência, cada membro que fez parte disso tem sua gama de influências, em geral temos algumas em comum, mas as influências principais de cada indivíduo são mais fluentes na música do que uma coisa mais geral.

Mas citando nomes, temos um baterista muito focado no Death Metal (Cannibal Corpse, Suffocation, Hate Eternal, Nile, Severe Torture, Krisiun), um baixista mais voltado ao thrash, crossover e metal old school (Celtic Frost, Exodus, Demolition Hammer,Venom, Ratos de Porão, Overkill), um duo de guitarras com influencias mais variadas e com um pé no Black metal (Gorgoroth, Dissection, Watain) e até mesmo o Death Sueco (Grave, Entombed) e no meu caso, me concentro mais na linha do crust, grind e essa turma do hardcore que procura fazer algo mais diferenciado, sombrio e pesado (Integrity, Cursed, Unruh, Catharsis, Koreisch), até me inspiro em bandas com performances agressivas como GISM, Kickback, Gehenna e Hoax. O leque de influências é muito grande...

A banda começou como uma one man band crust em 2011, você gravava tudo em casa e usava bateria programada. Mesmo gravado de forma precária, o primeiro EP da banda, "Fallout", teve boa repercursão e é digno de elogios, levando em conta as condições em que o "Fallout" foi gravado. Muito ouço falar que a produção tem um quê de Ministry e metal industrial, isso foi proposital? Fale um pouco sobre a gravação desse EP.

Deimos - Bem, a gravação do EP foi algo catártico pra mim, saí de uma banda na qual estava bem descontente com a orientação sonora que ia, logo queria fazer o som podre e violento que sempre quis fazer, mas tinha um problema: eu não tocava porra nenhuma e não conhecia ninguém que fizesse esse tipo de música. Porém a vontade foi maior e aprendi esses esquemas de gravar em casa e comecei a gravar as músicas, peguei (e depois comprei) o baixo de um amigo, vi tutoriais, pedi ajuda a pessoas que já faziam esse tipo de gravação em casa.

Sobre a influência de Ministry, sempre curti a banda, porém em momento algum pensei neles quando compus o álbum, na época estava bem interessado no crust do Doom e Skitsystem e o grind do Nasum e Terrorizer, talvez tenha sido influência indireta na produção do álbum, até por causa dos efeitos de vocais que usei, mas de qualquer jeito esses comentários podem ser considerados grandes elogios.




Como e quando a Shade of Mankind passou de ser um projeto one man band para ser uma banda propriamente dita? Os outros membros da Shade of Mankind tem projetos paralelos? 

Deimos - Desde que criei o projeto, já tinha essa vontade de fazer o negócio ser real e envolver outras pessoas, pelo menos para shows ao vivo. No começo eu convidei amigos para tocar em shows e depois vendo a formação, conforme fui criando afinidades com alguns membros, comecei a pensar a tornar isso uma banda, porém tive vários problemas de formação (da formação original, só tem o baterista) e acho que agora conseguimos estabilizá-la. Os ensaios e resultados dos mesmos tem me agradado bastante e estamos ansiosos (eu pelo menos sim) para demonstrá-los ao nosso público/vítimas. 

De projetos paralelos ativos, temos membros participando da Viruskorrosivus e I Am Nihil, por exemplo, mas os outros membros estão formando suas outras bandas paralelas e estão desenvolvendo elas conforme o tempo passa, alguns deles tiveram participação em outras bandas (Ark Six, My Own Monster e Bloody Violence, por exemplo), o engraçado e curioso é que no fim todos estão focados na Shade mesmo, haha.

Atualmente a banda está gravando o seu debut "We Are the Plague". Como está sendo a gravação desse disco? Há alguma previsão de lançamento, de como será lançado?

Deimos - A gravação do debut está sendo demorada, porém gratificante. Tivemos problemas técnicos, a própria questão de não estabilizar a formação e etc. Porém agora estamos finalizando as gravações de alguns detalhes extras de guitarras, depois só falta as participações especiais que marcamos. Sobre a previsão de lançamento, não temos uma data específica ainda, porém nossa meta é deixarmos ele para streaming em dezembro desse ano. O lançamento físico vai ser depois pois os planos de lançamento dele serão um pouco mais ambiciosos e complexos, logo não garantiremos isso tão cedo.


Além do som, também chama atenção a estética e temática da banda. Fale um pouco sobre isso.

Deimos - Sempre tive uma curiosidade e gosto por bandas com esse apelo “além da música”, a questão de estética e temática. O que a banda demonstra é algo complexo na verdade, falamos de individualidade e a decadência do ser humano civilizado e seus dogmas, de como as coisas não são tão “preto e branco” e os paradoxos das dicotomias. Esse tipo de pensamento e atitude já foi demonstrado em vários formatos, não se há um nome específico pra isso, mas gosto de denominá-lo “rebelião psíquica”.

Somos indivíduos cansados dos grupos e dogmas que nos cercam e corroem aqueles a nossa volta, o que fazemos é uma catarse e desconstrução dessas mitologias que a própria civilização criou sobre seus deuses e demônios. Não estamos aqui para mostrar caminhos ou levantar bandeiras, já estamos traçando o nosso caminho e queimando todas as bandeiras que tentarem usar para nos representarmos, sabemos quem nós somos. As pessoas temem o caos pois elas querem o controle total, não querem se adaptar, querem viver no conforto de suas ordens e ideais prontos, queremos causar nelas esse desconforto, o desconforto do questionamento e da não conformidade.

A natureza é caótica, sempre em mudança constante, o homem que criou essa falsa idéia de tradição, se pararmos pra ver bem mesmo, as únicas tradições que a humanidade sempre manteve foram a depravação, a violência e o catarse. Porém muitos tem medo de abraçar as feras (alguns também chamam instinto) que se habitam dentro de nós, é uma questão de conciliação com eles, não de domínio.

Não é algo de chutar latas nas ruas e lutar contra sistemas, pregar revoluções, mas sim uma questão de sobrevivência psíquica diante o controle e amarras do “bem comum”. É sobre saber o que acontece na sua mente e como você lida com isso e seus instintos, meio como se fosse uma anarquia psicológica e espiritual.



O que vocês acham da sua cena local? Recomende algumas bandas locais que vocês apreciem.

Deimos - Essa questão de cena é algo engraçado, talvez realmente tem a ver com a cena teatral, já que os pregadores da mesma escrevem ensaios exuberantes falando e culpando si mesmos na terceira pessoa do plural. Um simulacro de consciências pesadas que querem culpar alguém por “eu não atingir o sucesso/aceitação que esperava”, no momento que estamos num meio como o hardcore e metal, formado por supostos párias sociais, acho que a aceitação de uma audiência deveria ser a menor e mais inexistente das preocupações, vai entender.

Um bom exemplo de como isso é paradoxal, lembro de certas pessoas que torciam o nariz para mim por eu fazer tudo por mim mesmo e não fazer um som de acordo com o que a tal da “cena” fazia, logo era deixado de lado. Porém em uma das bandas que toco paralelamente, vejo esses mesmos que xingavam agora me elogiar pois estava tocando com alguém que era de uma banda “histórica” da tal cena, como se eu fosse contratado ou abençoado por ele.

Independente dessa palhaçada e falácia que vemos de alguma parte, acho que temos grupos interessantes e formados de pessoas que estão cansados dessa ladainha. Enfim, recomendações são das mais variadas: bandas como Sistema de Mentiras, Change Your Life, Morterix, Solomon Death, Hangovers, In Torment, Evil Emperor, Natural Chaos, Extr Sicks, Imorale, Living In Hell, Além Do Fim, Ornitorrincos, Bad Taste, Rotten Filthy, entre outros grupos que estão que fazem um som mais único e não tendem a repetir fórmulas rechaçadas dessas tais tendências. 


Recomende algum som maroto pra gurizada ouvir.

Há tantos, acho que fica melhor de cada membro do grupo fazer o seu aqui:

- Deimos: Primeiramente os colegas audioterroristas da Fit Of Rage, Martyr’s Tongue, VVeltschmerz, Malware, Albura, Ad Dajjal, Pesimista, Garden Of Stained Graves , Column Of Heaven, Horders, Heksed, VVlad, Cape Of Bats, Withdrawal, Godbreaker, Altar, Corpo Morto, Koreisch, Unruh, Bloodlet, Catharsis, Integrity, Gehenna, Ilsa, Seven Sisters Of Sleep, Rot In Hell, Vegas, O Cúmplice, Deaf Kids, Life Is A Lie, God Demise, Teenage Suicide, Shit Heroes entre tantas outras que poderiam preencher uma lista telefônica.

- Zoltar: Prophecy (Brasil), Korzus, Xanthochroid, Beyond Fear, Armed For Apocalypse, While She Sleeps, Sybreed, Hacktivist, Deadlock, Neurotech, Satyricon, Gojira, Ego Fall, Psyclon Nine, The Browning, Rise of the Northstar, Dalriada, Kontrust, Chthonic, Phinehas, Enter Shikari, Yaksa, Myrath, The Acacia Strain, In Extremo, Anime Dannate (não tem nada a ver com mangá), Dreamshade, Trash Talk, Tracedawn, Drygva, Gorgoroth, The Ocean, Woods of Ypres, Fellsilent, Claustrofobia, Ego Fall, Katatonia, Carach Angren, The Agonist, Sylosis.

- Schizo: D.R.I., Exodus, Demolition Hammer, At War, Motörhead.

- Yautja: Behemoth, Belphegor, Hate Eternal, Nile, Ayin, Nephasth, The Ordher, Krisiun, Brujeria, Escarnium, RxCxEx, Jig-Ai, Cerebral Bore, Defeated Sanity, Dawn Of Demise, Cryptopsy, Claustrofobia, Cattle Decapitation, Devourment, Dying Fetus, Dyscarnate, Exhumed, Impaled, Carcass, F.K.U., Gorerotted, Macabre, Napalm Death, Origin, The Faceless, Revocation, Soreption, Vomitory, Deicide, Marduk, Aeon, Asesino, Birdflesh.

- Twiggy: Além das bandas locais e influências já citadas, aqui vão outras como The Faceless, Carnifex, Fleshgod Apocalypse, Aborted, Dissection, Blood Red Throne, Carcass, Cattle Decapitation, The Black Coffins, Watain, Immolation, Murder Construct, Ragnarok, Setherial, Fallujah, Incantation, Impaled Nazarene, Misery Index, 1349, Dark Funeral, Marduk, Goatwhore, God Seed, Tsjuder, Carpathian Forest, Broken Hope, Coldworker, Cryptopsy, Desecrated Sphere, Haemorrhage, Hour Of Penance, Lacerated and Carbonized, Kraanium, Pathology, Pig Destroyer, Septicflesh, Spawn of Possesion, The Black Dahlia Murder, Avulsed, The Bridal Procession, The Modern Age Slavery, Torture Killer, Vomitory, Waking the Cadaver, entre muitas mais que poderia ficar falando por horas e horas e horas...



(filmagem por Mekaniquis)

Considerações finais: mande beijos para a mãe ou todos tomar nas pregas. Espaço livre!

Deimos - Aos que apóiam nossa música, agradecemos. Aos que sentem repulsa por ela, agradecemos mais ainda, pois criamos ela para nós, não para vocês.


Shade of Mankind é:
Deimos - Vocal
Zoltar - Guitarra solo
Twiggy - Guitarra base
Schizo - Baixo
Yautja - Bateria e backin' vocals

Bandcamp
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