Skindred - Reggae, Ragga, Dubstep, Metal e um pouco de carimbó

Sim, estamos cientes que o blog tá parado pra caralho nos últimos tempos, porém agora eu pelo menos terei um pouco mais de tempo para postar material e também tenho algumas idéias novas que perpetuarão esse blog logo logo, fiquem ligados!


Mas vamos ao post do dia, nesse clima de verão e férias chegando, acharia legal recomendar algo mais alegre e praiano, porém sem deixar de ser a pancadaria/loucurada transgressiva que o nosso blog sempre recomenda, então vamos a banda de hoje:


Num momento onde o boom do tal New Metal estava no seu ápice, com a mistura de rap com metal e eletronico, usando e abusando de riffs "pula pula" com afinações baixas e o começo da era dos breakdowns, muitas bandas surgiram e boa parte delas foi fadada o esquecimento ou decadência eterna. Porém algumas pouquíssimas bandas sobreviveram de 2008 pra cá sem ficarem tão atreladas a má fama do gênero e tentaram focar para outros gêneros (Linkin Park, Korn) e outras manteram sua fórmula com algumas tentativas de amadurecer seu som (Deftones, Ill Niño, System Of A Down, Slipknot). 

Porém nessa maré toda de bandas que tentaram sobreviver, uma ficou firme e forte e nunca foi muito citada: Skindred. Vindos do País de Gales, a banda faz uma mistura realmente curiosa, ainda mais em um gênero "polêmico" e comercial como o New Metal, mas antes vamos para a história:


Antes do Skindred existia uma banda chamada Dub War, formada em 1993, que fundia o reggae/hardcore do Bad Brains com o funk metal do Living Colour e o rapcore de bandas como Downset. Porém, o destaque ficava com o uso de elementos de jazz, eletrônico, hip hop e breakbeat, sem falar do sotaque extremamente jamaicano do vocalista Benji Webbe, que fazia um diferencial. Em 1998 a banda acabou, porém Benji Webbe não queria parar e logo formou Skindred no mesmo ano, com o guitarrista Daniel Pugsley. Em 2002, entraram o baixista Mikey Demus e o baterista Dirty Aria, a formação consiste na mesma até hoje.


Em 2002 saiu o debut Babylon, mostrando o groove típico do new metal, o ritmo e vocalizações típicas do reggae e ragga, com isso conseguiram fazer uma turnês com bandas como Korn e Soulfly, os singles Nobody e Set It Off atingiram sucesso no meio. Cinco anos depois lançaram o álbum Roots Rock Riot, deixando os elementos de música jamaicana mais evidentes e com uma influência mais forte do hardcore do que metal, com a mídia os comparando com Bad Brains, apesar de Benji achar a comparação rasa demais. Faixas como Destroy the Dancefloor seriam uma prévia do que seria a futura evolução do Skindred.


Em 2009 os galeses voltam com o álbum Shark Bites and Dog Fights, cuja gravação foi feita as pressas, pois faltavam 3 meses para a banda gravar o material e depois sair em uma turnê nos EUA. Os vocais e letras foram escritos e gravados durante a turnê, com o produtor levando equipamentos do seu estúdio junto ao ônibus da turnê e acompanhando a banda. Nesse disco os elementos de música eletronica estão mais presentes, ainda mais as vertentes do drum'n'bass, dancehall e até mesmo dubstep, além de um cover genial de Electric Avenue do músico Eddy Grant (que também misturava reggae com rock, talvez uma alfinetada de Benji na mídia que sempre comparou o Skindred ao Bad Brains).


Dois anos depois saiu o disco Union Black, que focou mais nos elementos de Reggae/Ragga (vide o dancehall que é Guntalk) e também adicionando o dubstep no repertório, sendo o disco com a musicalidade mais variada do conjunto, além de ser o álbum mais pesado deles até agora. Com o uso de tantos efeitos eletrônicos, a banda se sentiu obrigada em colocar mais um membro na formação, o DJ Dan Sturgess.


Em 2014 está previsto para sair quinto álbum do grupo, Kill The Power, com 2 singles já na rede (Ninja e a música que dá título ao álbum), o que se pode esperar é mais Dubstep e o sotaque jamaicano de Benji dominando o álbum.


Para download, lhes deixarei os álbuns Union Black e Roots Rock Riot, que na minha visão, são os álbuns que ilustram melhor o que é o Skindred e o porque você deve ouvir essa banda. Desfrutem isso e louvem Jah enquanto se mosham no meio da areia da praia.

Porto Alegre City Madness


Fala galera! Depois de um tempo sem postar nada, e dessa vez não por preguiça, mas por falta de tempo mesmo, já que agora saí dessa vida de vagabundo, tomei vergonha na cara e arrumei um trampo, voltamos às atividades com um post de uma banda daqui de Porto Alegre que mandou material pra gente postar aqui no blog, a sensacional Motor City Madness.

A banda foi formada em agosto de 2012 e já em outubro do mesmo ano lançaram o EP "Rock 'n' Roll Motherfucker", que gerou uma repercussão bacana e boa visibilidade pros caras, tanto que, já em maio desse ano, com pouquíssimo tempo de estrada, a banda já se tocou pra uma tour na Argentina e Uruguai, além de terem tocado também esse ano em SP e MG, além do festival Autorock em Campinas, e vários shows no RS inteiro, é claro.



A Motor City Madness lançou em setembro seu primeiro disco em setembro desse ano, a patota, que leva o nome da banda mesmo, foi lançada em parceria pela Trashcan Records, Chop Suey Discos, Reverb Brasil e Rastrillo Records (da Argentina) e apresenta 11 músicas do mais bruto rock 'n' roll em seu estado mais primitivo, cheio de influências de punk, garage e mesmo hard rock, além de muita demência, espírito destrutivo, agressividade, riffs malígnos, linhas de baixo incríveis e bateria coesa, tudo isso sempre num ritmo frenético. Ou seja, não tem como ser ruim, ainda mais com as referências de som dos caras, que citam como influência grupos de rock pauleira como Turbonegro, MC5, Descendents, Radio Birdman, Grapamiel e Fernet, por exemplo.

A banda mal completou um ano de existência e já queimou muita lenha, mas mostra que ainda tem mais lenha ainda pra queimar pro ano que vem e pros próximos anos de existência. Uma das maiores promessas da cena porto alegrense e uma das minhas bandas preferidas do underground gaúcho, e que infelizmente ainda não tive a oportunidade de conferir ao vivo, mas espero ter a oportunidade de corrigir esse erro em breve.

Para ouvir o sensacional disco da Motor City Madness (de certeza um dos melhores lançamentos nacionais de 2013), basta acessar o bandcamp dos caras, onde está tudo disponível pra ouvir de graça! Se gostar, curta a página dos caras no facebook e fique ligado nas novidades. Uma ótima pedida para todos os fãs do rock agressivo, sujo, brutal e sem frescurites.



Motor City Madness é:
Sergio Caldas - Guitarra e voz
Cassio Konzen - Guitarra
Rene Mendes - Baixo
Rodrigo Fernandes - Bateria

Bad Music Sessions #2 - Dia dos mortos, noite dos tortos!


Passada a tradicional ressaca de domingo, estou aqui apto para fazer aquela resenha sobre a segunda Bad Music Session, que rolou no Black Stone dia 2 de novembro, sábado passado. 

Pra começar, dessa vez decidimos fazer um evento de peso, porém com variedade mesmo dentro disso, e creio que não poderíamos ter escolhido bandas melhores para essa festa de culto ao capiroto e zueragem. Todas muito competentes naquilo que fazem e todas elas fizeram shows incríveis. Além disso, depois da primeira Bad Music Sessions (14 de setembro), que foram apenas 10 pagantes, nossas expectativas estavam bem baixas. E qual não foi a minha surpresa ao chegar no pico e ter uma cacetada de gente muito antes do evento começar? E o melhor, todo mundo lá agitou muito e transformou o estúdio num caos, e deu até pra pagar as bandas. Tudo foi feito no maior espírito e ética do it yourself, sem panelismos, poserismos ou frescuras. Nada de "minha banda odeia o governo mas quer apoio da prefeitura pra fazer show", ou aquele mimimi de "apoie a cena, vá no show da minha banda" e papos vazios sobre esperança, união, "estou há 50 anos na cena" e essa babaquice total. Só a nata do underground demolindo tudo!

Quem abriu a noite foi a Extr Sicks, que inclusive, estreava nos palcos nesta noite. Com um set curto, a banda mandou ver no seu grindcore foderoso cheio de influências de black metal e crust, com sons muito bem trabalhados, curtos, rápidos, brutais e agressivos. Porto Alegre precisava de uma banda assim, era o que faltava na nossa cena local. Abriram a noite com chave de ouro e já deram gostinho do que iria rolar, e a galera já se esquentou com um pouco da tradicional dança de polga.


Não demorou muito para a Shade of Mankind iniciar sua apresentação. Foi, certamente, a banda mais agressiva da noite, com seu som inrotulável, que mescla tudo que há de extremo e pesado na música. O som dos caras tem influência de tudo: grind, crust, hardcore, black, death, thrash, tudo isso e mais um pouco! Particularmente acho que foi a melhor apresentação da banda que eu já vi. Estão muito mais entrosados, muito mais sujos, brutais e agressivos. Por muitas vezes os membros da banda pareciam possuídos, tinham uma ótima e ameaçadora interação com o público e a galera se quebrou pra caralho no pogo. Rolaram covers de Napalm Death, Integrity, Mortician e Bolt Thrower ,e ainda dei uma participação especial no show em um som dos caras, "Inhuman Rights". A banda terminou sua apresentação no maior clima hardcore nipônico com a épica "Anthem For Blood", com direito até à um solinho power rangers por parte de Zoltar, o novo guitarista da banda, e deram um gostinho do que será seu debut, que se tudo der certo, até o final do ano já estará disponível na internet para ouvirmos.


Encerrando a noite, tivemos a Morterix, lançando em formato físico seu primeiro disco "The Roots of Ignorance". A banda, que já é veterana na cena, fez o show mais agitado da noite. O pogo rolou do começo ao fim, sem trégua, com os tradicionais stage dives no banquinho do teclado. A banda fez um set com músicas que integram o disco e algumas novas, além dos covers, tudo brutal e sem frescura! Nunca me canso de dizer que é uma das melhores bandas de Porto Alegre! Esse sábado, os caras ainda tocam com o Violator em São Leopoldo, e agora você pode adquirir o disco dos caras em mãos nos shows por apenas 10 mangos! 


No final das contas, saiu todo mundo mamado, quebrado e felizão!


Ficamos realmente muito motivados com essa segunda edição da Bad Music Sessions, e iremos continuar organizando eventos e fazendo movimento na cena, quer os autoritários e caga-regras do underground queiram ou não, e não importa a bobagem que disserem! Ano quem vem tem mais Bad Music Sessions, e se tudo der certo, em um pico diferente, com mais bandas e só aumentando o nível!