World Damnation - três faces do metal extremo gaúcho


Recentemente me mandaram o three way split (para os que não sabem, é um album no qual o repertório é dividido por mais de uma banda, não confunda com coletânea). O split conta com três bandas gaúchas: Impetus Malignum, Natural Chaos e Human Plague. Hoje farei um rápido comentário desses grupos e seus respectivos setlists no disco, desfrutem:

NATURAL CHAOS


Formado em 2007, a banda de Porto Alegre conta com quatro membros: Sidney "Sapão" Benites no baixo e vocais, Carlos "Indulgence" e Anderson "Gt" nas guitarras e Paulo Peixoto na bateria. O quarteto faz uma mescla de death/thrash bem velha escola, na linha de nomes como Morbid Angel, Sepultura e Slayer. Detalhe que o grupo gravou todas as músicas num home studio próprio, com uma produção bem interessante e que remete bem ao metal extremo old school.

No split, já abrem com a canção Carnage, com blast beats e palhetadas alternadas acompanhando os guturais gravíssimos de Sidney, foi impossível não se lembrar de Incantation escutando esse som. Em seguida chega Sacrifice Of Consciousness, que já começa com um riff bem memorável e skank beats, perfeito para iniciar um mosh ou circle pit. Pra encerrar sua participação no split, a faixa Chaos é facilmente é mais rápida e agressiva das três, com bastante influência do Sepultura velha escola e Massacre.


Em comparação ao que é visto na cena gaúcha, o Natural Chaos sem dúvida tem um apelo forte pro Death Metal Old School. As três faixas tem uma média de 5 a 6 minutos, mas as mudanças de tempo, peso e riffs pegajosos deixam o ouvinte interessado. Com certeza um contraste legal, pois quem conhece a cena por aqui nota que o Death Metal está bem cheio de bandas técnicas e velozes que buscam ser o novo Krisiun, logo bandas como essa que usam de tempos mais lentos de vez em quando são sempre bem vindas.


HUMAN PLAGUE


Formado em 2011, o grupo de Santa Maria é a banda mais "nova" que consta no split. O álbum abre com Below The Nothingness, com um riff mais cadenciado e bumbos duplos pesados, nota-se que eles têm mais influência nas bandas de death da cena européia (essa canção no caso me lembrou bastante Hail Of Bullets). Em seguida Silent War continua com uma linha um pouco mais melódica e o pedal duplo ataca novamente, dessa vez se nota uma forte veia de death metal sueco na linha do Unleashed, sem falar do belíssimo solo que acompanha esse som. 

Por último, entra a faixa Hate Celebration, que inicia com sirenes, teclados e o som de marchas e metralhadoras, que dão entrada ao som mais pesado e agressivo da parte deles nesse split. Pura bateção de cabeça e a faixa se encerra com blast beat, pedais duplos e mais velocidade, o que contrasta com o setlist que apresentavam, uma bela surpresa.


No fim, o Human Plague apresenta um Death Metal mais na linha das bandas européias dos anos 90/2000, a produção é bem limpa e clara, músicas bem cadenciadas e lentas. Dou um destaque pra faixa Silent War e seu solo realmente sensacional!

IMPETUS MALIGNUM


Sem dúvida a banda mais experiente nesse split, o grupo de Porto Alegre já tem 2 álbuns e bastante splits no currículo. Tocando um black metal na linha das bandas da segunda onda como Marduk e Gorgoroth, eles são responsáveis pela parte mais caótica e massacrante de ouvidos nesse split. Já iniciando o massacre com Slave Of Prophecy, atacando o ouvinte de surpresa com blast beats e palhetadas alternadas invocando melodias sombrias. 

Em seguida entra Storms Of Fire, com uma pegada bem war metal no estilo Goatpenis e Impaled Nazarene. O assalto continua com Death Ride, com um refrão pegajoso pra caralho, logo o setlist se encerra com Vatican Judgement, com uma produção mais lo-fi e arquetípica do gênero, porém os riffs e solo nessa faixa de encerramento são ótimos, também é a música  mais variada do repertório deles.


Impetus Malignum apresenta o repertório black metal pós 90's que interessa aos fãs de grupos como Marduk, Gorgoroth, Endstille, Impaled Nazarene e afins. Única reclamação que eu teria é que se nota que as quatro canções foram gravadas de formas diferentes, porém mesmo com as mudanças notáveis de produção, isso não desvaloriza o peso das músicas. Meu destaque fica pra faixa Vatican Judgement.

Bem, esse foi o three way World Damnation, representa três facetas diferenciadas do metal extremo gaúcho. Todos os grupos tem seus diferenciais aqui na cena local, o split é recomendadíssimo para os fãs dos respectivos gêneros. Vocês podem adquirir sua cópia nos distros que o lançaram: Petrol Music e Rock Animal.

O Ruído Sinestésico do Oxbow

                                     

O Oxbow foi formado na Califórnia no final da década de 80 e é um dos combos mais atípicos e extraordinários já surgidos. Liderado pelo vocalista negro, praticante de luta amadora e também escritor Eugene Robinson, conseguiram a partir da herança de bandas barulhentas como Big Black e Birthday Party criar uma sonoridade bastante particular.  Sua música muito visual e a versatilidade da voz de Eugene, dão a sensação de estar  dentro de um filme ou jogo de realidade virtual.  Poucos conseguem abordar musicalmente sentimentos conflitivos  de forma tão talentosa quanto o Oxbow: ataques de fúria desesperada alternam-se com atmosferas melancólicas, sinistras e sexy com uma naturalidade que impressiona. É música para pessoas fortes, já que não pegam leve em nenhum momento com o ouvinte. O próprio nome da banda, que em inglês significa “jugo” ajuda a  dimensionar essa proposta.
 
                                

Estrearam em disco em 1989 com “Fuckfest”, em que as letras foram retiradas de um bilhete de suicídio escrito por Eugene. O disco, que começa dando uma falsa impressão de ser um Bad Brains fase Quickness (a primeira música, "Curse") mostra o que seriam os álbuns seguintes: forte influência de jazz, tensão, punch brutal e transtorno bipolar. Dizer que Eugene é um Henry Rollins negro é justo. O gosto pela maromba, spoken words e a necessidade de provocar seu público são características de ambos os vocalistas (Eugene, tira as roupas durante as apresentações, terminando por ficar só de cueca; e não poucas vezes já saiu na porrada com seu público). Acrescento dizendo que o Oxbow é tudo o que a Rollins Band quis ser musicalmente, mas nunca conseguiu. Sorry, Mr. Rollins.
 
                                  

“King of the jews”, o próximo lançamento tem na capa uma foto do cantor e ator Sammy Davis Jr. Sammy, judeu negro que teve uma vida no geral bastante trágica e figura controversa (dentre as muitas curiosidades, era membro da Igreja de Satã) representa bem o espírito do Oxbow.
 
O "Rei dos Judeus" 
Mais quatro álbuns se seguiram: “Let me be the woman” (título sugestivo!), “Serenade in red”, “An evil heat” e “The narcotic Story”. Todos peças magistrais e que valem tudo serem ouvidos. Trabalhando em cima de temas ligados quase sempre ao amor que sempre vai embora ou mesmo que nunca aparece, o som  é faca na carne como poucas vezes foi feito. Participações especiais de gente como Lydia Lunch e Marianne Faithfull dão uma pista do nível de qualidade do grupo.
 
                              

                              

Falando de gente famosa, Eugene Robinson participou do projeto Black Face, com o ex-baixista do Black Flag  Chuck Dukowski.

O Oxbow promete disco novo ainda para 2014 e já tem até nome “The Thin Black Duke”, uma referência ao personagem, “Thin White Duke” do David Bowie. Podemos esperar por mais cinco dedos no meio do cara de pura categoria e brilhantismo.
 
                                   

Punk? Pós-punk? Psicódelico? Garage? Rakta!


Dentro de qualquer contexto, existem bandas que são únicas, extremamente criativas e muito difíceis de rotular, e dentro do underground nacional atual, o Rakta com certeza é uma dessas bandas inrotuláveis. Alguns até tentam classificar o som das garotas, que começaram suas atividades em 2012. Uns dizem que é pós-punk, outros dizem que é garage rock, uns dizem que é psicodelia, e eu digo que é melhor parar com essa putaria de sair rotulando e curtir o som, já que o som que essas mulheres fazem é extremamente único e diferente de quase tudo que eu já ouvi vindo do nosso Brasil varonil.



Falando um pouco da minha experiência pessoal com o som, conheci Rakta no início desse ano, quando vieram tocar aqui em Porto Alegre, lá pelo final de janeiro ou início de fevereiro, não lembro bem. Antes da banda anunciar os shows aqui, eu sequer tinha conhecimento de sua existência (o que na real é até bem comum comigo, geralmente conheço as bandas pouco antes de virem tocar aqui), tinha ouvido uns sons no bandcamp e achado muito legal, mas não ouvi com a atenção merecida. Isso foi acontecer lá, no momento do show, e caralho... Logo nos primeiros acordes, transcendi. Ao vivo a coisa é inexplicável. É um catarse, energia transcendental pura, um ritual primitivo e selvagem envolvendo experiências únicas. O cara fica imerso naquilo mesmo, quando menos percebe já está dançando, se contorcendo no chão, ou no caso dos mais tímidos, batendo o pézinho. Quem tiver a oportunidade de ver essas garotas em ação, veja! Eu, particularmente, não vejo a hora de que elas voltem pra cá logo pra curtir mais uma vez essa experiência. Desde aquela noite de calor insuportável em Porto Alegre, virei fã. E só não postei o som delas aqui antes por preguiça e vadiagem. Conserto agora meu erro proporcionado pela procrastinação.

O som, como já falei, é inrotulável. A influência pós-punk é latente, mas a banda não se resume a um clone de Joy Division (que foi o que se convencionou a ser chamado de "pós-punk" no Brasil). O som das garotas, muito pelo contrário, é extremamente original e não se parece com nada que eu tenha ouvido antes. O som em si é marcado por linhas de baixo e bateria bem simples, primitivas até, muito reverb, fuzz, ruídos e microfonias no talo, além do uso de teclados, que dão uma atmosfera ainda mais viajante e transcendental ao som. Em outras palavras: sensacional. Não há como ficar indiferente ao Rakta.


A banda, até agora, tem um LP e um single 7'' lançado, que podem ser ouvidos gratuitamente em seu bandcamp. Além disso, parece que a banda está abalando em tudo que é lugar que toca, e andaram fazendo uma tour até pelos States. Fico extremamente feliz por elas. Rakta merece todo o reconhecimento possível dentro do meio underground e tem tudo pra ser um "cult classic" em tempos futuros. Ouça aqui e tire suas conclusões.

Masters of Reality: Plebéias da Idade da Pedra


Há muito tempo lia em um lugar ou outro sobre o Masters of Reality, mas por algum motivo nunca havia tido interesse em conhecer a tal “banda de stoner rock do Chris Goss”, que para quem não sabe, é o produtor de grande parte do material do Kyuss e do Queens of The Stone Age. O possível motivo desse meu desdém é que bandas do estilo  se multiplicaram aos milhares e como o estilo se baseia em soar vintage e reverenciar uma época, acabam muitas vezes se limitando ao que já foi feito e resultando em trabalhos previsíveis e irrelevantes. Para cada banda com personalidade que aparece, há dezenas de milhares de bandas que não acrescentam absolutamente nada e que a característica retrô soa forçada. Bom, esse não é mesmo o caso do Masters of Reality. Há alguns meses, por encontros felizes que só o acaso traz, tive contato com o trabalho deles, em links do youtube e fiquei totalmente bestificado pela excelência e identidade do som. Não é exagero dizer que são um dos segredos mais bem guardados da história do rock. 
 

A banda foi formada em New York no ínicio da década de 80 e ainda existe, tendo durante todo esse tempo diversas encarnações, sendo que o único integrante que permaneceu em todas elas é o já citado Chris Goss, que é seu líder, vocalista, guitarrista e mentor espiritual. Goss tirou o nome da banda do  título do 3º álbum do Black Sabbath, que é considerado como o marco zero do stoner.
 
Com uma sonoridade que nada tinha a ver com a década de 80, dominada pelo glam, só foram gravar seu debut em 1989; graças a uma demo que caiu nas mãos do sabbathmaníaco Rick Rubin, que se interessou em produzi-los. O resultado é uma estréia sensacional. O álbum, autointitulado, tem riffs e mais riffs empolgantes e cheios de groove que beberam da fonte dos primeiros trabalhos do Led Zeppelin e do Experience do Hendrix, mas que não soam como cópias ou requentados. Goss é um grande criador de melodias assobiáveis, bem no estilo Beatles, que é uma das maiores qualidades do som, o que faz as músicas soarem bem diferentes entre si. Outra coisa que chama muito a atenção é a semelhança dos vocais de Goss com os do Josh Homme (que claramente surrupiou seu estilo vocal), o que faz parecer por diversas vezes que estamos ouvindo o QOTSA. Conseguiram um mini-hit com esse disco, “Domino”, que entra na trilha sonora do filme “Marcado para morrer” do astro de filmes de ação Steven Seagal.
 

Com as conexões no meio musical do Chris Goss, trazem  para o segundo álbum, “Sunrise to sufferbus”  a participação do lendário baterista do Cream, Ginger Baker;  que não chega a sair em turnê com eles. O som fica um pouco mais blues que no primeiro álbum fazendo lembrar em alguns momentos o protometal da ex-banda de Baker.  Mas “Sunrise...”  está no mesmo nível de qualidade do anterior. Isso prá não dizer que o resultado ficou ainda melhor e que talvez seja seu melhor disco. Impecável.
 

Mais concentrado na carreira de produtor que paralelamente desenvolvia com o Kyuss, Chris Goss passa a primeira metade da década de 90 deixando o Masters of Reality em segundo plano, gravando materiais esparsos (que mais tarde seriam compilados no disco “The Ballad of Jody Frost”) e fazendo poucos shows.
 
Masters com Ginger Baker (à esquerda)
Em 97 o MOR retorna com o menos inspirado “Welcome to western lodge”, e em 2001 com o noiado “Deep in the hole”. Esse último tem participações de Josh Homme, Nick Oliveri e Mark Lanegan, que então estavam no auge da drogadição e com isso percebe-se a mudança da banda dos climas mais up para coisas mais melancólicas e cheias de paranóia, principalmente nas faixas com participação do Lanegan. Dessa turnê vem também um dos melhores álbum ao vivo já gravados,"Flak n' Fight" que transmite muito bem o clima caótico, poderoso e imprevisível  das apresentações. Mal comparando, lembra um pouco a psicodelia sujona e o clima de insanidade do também ao vivo “Space Ritual”, do Hawkwind.
 

Em seguida temos o lançamento de "Give us Barabbas", que é uma compilação de várias músicas já gravadas pela banda num formato mais acústico. Um belo disco, mas que destoa um pouco dos anteriores.
O último disco gravado, “Pine Cross/Drover” retorna ao caminho do peso e é  também um trabalho bem interessante, mas sem maiores destaques.
 
Nick Oliveri, Chris Goss e Josh Homme
Com no mínimo quatro obras-primas e o restante variando de bom a excelente, vale a pena conhecer toda a discografia deles. Goss continua bastante ativo e participando de um milhão de projetos, o último deles do disco de estréia do Mojave Lords (nova banda de seu amigo Dave Catching e o melhor lançamento de 2014, até agora).
 

O Masters of Reality serve de inspiração não só para fãs de stoner ou mesmo de rock, mas de todo fã de boa música. É um tipo de pureza e autenticidade raras num universo que a cada dia se torna mais venal.

O Subsolo Underground Gaúcho


Primeiramente olá, eu me chamo Emerson Folharini e sou o novo integrante do blog, no meu post de estreia vou falar um pouco de uma época em que a K7, a troca de cartas, o zine e as gravações feitas em garagens com microfonia prevaleciam, e a partir disso elencar aqui 5 bandas fundamentais dentro da cena gaúcha que surgiram na década de 80 no interior do Estado, mas infelizmente não duraram muito, mas foram de suma importância para a proliferação do gênero não só no Rio Grande do Sul, mas em todo o Brasil, sendo também reconhecidas mundo a fora. É importante ressaltar a violência e agressividade na sonoridade dessas bandas pois na mesma época em Porto Alegre víamos crescer uma "cena" calcado no Heavy Metal clássico, onde tirando o primeiro álbum da Panic, prevaleciam bandas como Astaroth, Leviaethan, Valhala, Virgem Atômica e afins, com seus clichês do gênero. Não sei ao certo o motivo que podemos atribuir para esse fato, talvez pelo fato de essas bandas estarem deslocadas do meio metropolitano e logo o material que chegava até eles acabava por ser diferenciado, uma vez que para obtê-lo o trabalho era redobrado, mas enfim chega de especulação e sem mais enrolação, vou falar agora dessas bandas que calçaram o subterrâneo underground que hoje todos nós compomos: 

Mausoleum
 

Banda proveniente de Santa Maria, talvez tenha sido a primeira banda de Death Metal do Rio Grande do Sul, tendo sido fundado em 1986 e encerrado suas atividades em 1987, com uma linha de som que seguia o que vinha sendo feito em Minas Gerais praticamente de forma simultânea com bandas como Sepultura, Sarcófago, Holocausto e afins, traz as influências clássicas de bandas como Hellhammer, Venom e Vulcano, pelo pouco tempo de duração da banda e dificuldades da época infelizmente acabaram não deixando nenhum registro oficial, sendo as únicas referencias que possuímos hoje são dois shows e um ensaio gravado em bootleg.

 


Dissector  
 

Banda proveniente de Pelotas, começou suas atividades em 1986 e encerrando suas atividades nos em meados de 1991, pode se dizer que foi uma banda a frente de seu um tempo uma vez que praticava um som muito similar ao que hoje conhecemos como grindcore, a banda se intitulava na época como uma banda de "Blackcore/Deathcore", pela mistura das linhas de Death Metal, Black Metal Old School com a do próprio Hardcore, sendo influenciada por bandas como Occult e Hellhouse. Além da música é interessante também comentarmos o fator pitoresco que envolve o guitarrista da banda, Claudio "Sepulchral" Reitter, o qual virou um personagem da "cena gaúcha" devido as histórias que envolvem sua figura, após a Dissector teve várias bandas que seguiam uma linha mais goregrind, tocando inclusive na clássica banda de grindcore Necrose, além de se envolver em polêmicas devido as letras que compunha, as quais iam da misoginia ao extremo niilismo. A Dissector deixou 3 registros em demo tape e um bootleg de show.
 

 Dark Butcher
 

Outra banda de Santa Maria, a banda teve curto período de atividade também de 1989 a 1990, tendo surgido durante os intervalos dos ensaios da Nuctemeron, com Jorge "Angelripper" nos vocais e Daniel "Deathammer" na guitarra e Agnaldo "Pussyfucker" na bateria, sendo essa uma das primeiras bandas do grande Agnaldo Gomes, vocalista da Serpent Rise, conceituada banda de Doom Metal gaúcho do fim da década de 90, seguia a linha “blackcore” como a Dissector e outras bandas da época como a própria Nuctemeron, Necrobutcher (SC) e Necrovomit (SP). A banda gravou duas demos ensaios.

 
Nuctemeron
 
  

Banda de Santa Maria, tendo surgido da já citada Mausoleum, talvez a Nuctemeron tenha sido uma das bandas do interior do Rio Grande do Sul que tenha sido mais visualizada dentro da cena underground oitentista, devia a demo-tape lançada em 1990, Industrial Polution, a qual além da mescla dos elementos do hardcore com a clara influência de bandas como Sodom e Destruction, tem o incrível tempo de duração de apenas dois minutos e quarenta e dois segundos, algo totalmente precursor para o gênero na época, tendo em vista o que as bandas da época estavam aplicando em seus sons, além dessa demo a banda possui mais 3 demos de ensaio e recentemente uma coletânea lançada no Paraguai, trazendo todas suas demos em CD.
 

Apostasia 
 


Bem para finalizar o post, vou trazer uma banda que além de sua importância para a cena da música extrema do Rio Grande do Sul é uma das minhas bandas favoritas, a Apostasia é proveniente de Farroupilha, sendo fundada em 1989, tendo encerrado suas atividades pela metade da década de 90, tendo sido a primeira banda do Estado a usar blast-beats em suas músicas, como uma clara influência tanto musical quanto visual de bandas como Sarcófago e Sextrash, a banda tem suas 2 primeiras demos uma aula de death metal old school, sendo a segunda Weakening the System's Manipulators, um clássico absoluto. Em 1991 a Apostasia venho a gravar seu último registro, sendo que nesse a banda acabou mudando a sua linha de som, beirando o grindcore, com letras de contestação em músicas curtas e diretas, mas independente disso eles podemos dizer que eles são um clássico absoluto do underground obscuro.
 

National Wake - Confrontando o Apartheid com muito barulho e subversão


Quando pensamos em punk rock, de cara já pensamos em The Clash e Sex Pistols, na gloriosa Londres de 1977, de uma juventude raivosa gritando contra a monarquia e sem perspectiva de futuro, ou então dos garotos entediados da blank generation de Nova York, como os Ramones e os Dead Boys. Não tiro o mérito dessas bandas, que aliás sou muito fã, mas o punk vai muito além disso.

Enquanto nos países desenvolvidos, por volta de 1976 à 1978, o punk surgia como uma resposta ao tédio e a falta de perspectivas de uma juventude degenerada, nos países de terceiro mundo, logo quando apareceu, foi visto pelos jovens rebeldes como uma perfeita arma contra regimes autoritários e uma resposta à opressão vivida no dia a dia. Foi assim na América Latina, que ainda no final dos anos 70 vivam sob os pesos das botas, fuzis e capacetes, e também dos países africanos, que entravam em processo de independência, e no caso específico da África do Sul, viva um regime racista e autoritário num país de maioria negra. E foi nesse contexto que surgiu na África do Sul uma banda pioneira: o National Wake.

Antes do National Wake, o punk não era exatamente uma novidade na África do Sul. Bandas como Wild Youth já haviam surgido e fazendo pequenos shows em universidades para públicos multirraciais (o que era probido) já tinham feito um certo barulho, inclusive com shows interrompidos pela polícia. O Wild Youth, de Durban, foi uma das primeiras bandas a trazerem o punk rock para a África do Sul.



Mas o National Wake, de Johannesburgo, formada por Ivan Kaye, juntamente com os irmãos Gary e Punka Khoza na “cozinha” e o guitarrista Steve Moni, conseguiu chamar ainda mais a atenção por um fato muito simples: foi a primeira banda multirracial da história da África do Sul, com integrantes brancos e negros, em pleno regime de apartheid. Desafiando as leis raciais da época e um governo totalmente autoritário, o National Wake foi a banda punk sul-africana de maior destaque e uma das mais relevantes do punk rock africano, por ter representado um marco corajoso e ter batido de frente com um regime racista para fazer som. E mais que isso: a banda tinha letras de cunho totalmente político e social. Sua música mais conhecida, "International News", é uma crítica em relaçãoa censura da imprensa sul-africana e do controle que o governo exercia sobre a informação.


 Logicamente, a banda sofreu diversas perseguições por parte do governo sul-africano, com diversos shows interrompidos pela polícia e inclusive resultando em tretas violentas e até mesmo na prisão dos membros da banda. Apesar disso, a banda seguia suas apresentações em pequenos centros culturais e universidades, sempre para públicos multirraciais, e lançaram um LP em 1981, de forma totalmente independente. O disco, autointitulado, é uma das melhores coisas não só do punk africano, como da primeira geração do punk rock, que vai de 76 até 82. Na época, foram lançadas apenas 700 cópias, sendo a edição original um raríssimo e precioso item de colecionador. Pelo menos foi assim até 2011, quando o tal LP foi relançado pela gravadora Light In The Attic. Na época que o disco foi lançado, chegou até as mãos de John Peel, na Inglaterra, que tocou "International News" em seu programa na BBC, que chamou a atenção inclusive do dono da Atlantic Records, Ahmet Ertegun, que demonstrou grande interesse pela banda, mas no fim, as negociações acabaram não resultando em nada.

Não muito depois do lançamento do LP, a banda encerrou as atividades, por conta da situação que ia ficando cada vez mais complicada para a banda, que passou a ter cada vez mais problemas com as autoridades, na medida que após o lançamento do seu primeiro disco, sua popularidade também ia aumentando. Passaram a ter problemas com o controle do governo sobre rádios e leis de distribuição restritas para seus discos. Eram um péssimo exemplo a ser seguido por outros grupos e um perigo em potencial contra a ordem racista e autoritária da época. A situação acabou ficando insustentável e a banda acabou, deixando um legado e muitas portas abertas não só para o punk, mas como para praticamente todo o movimento cultural e artístico do país.



Baixe aqui o primeiro e incrível disco do National Wake e prove a si mesmo que existe punk além dos EUA e da Inglaterra.

Sérgio Sampaio: Não há nada mais bonito do que ser independente



A trajetória musical de Sérgio Sampaio é das mais inusitadas dentro da nossa música popular, ou impopular, como queiram. Incompreendido na época em que viveu, a cada dia ganha mais fãs e admiradores via internet. Entrando no inconsciente coletivo popular com um hit bombástico (“Eu quero é botar meu bloco na rua”, de 1972) e nunca mais conseguindo repetir o êxito ou mesmo manter uma carreira regular, ganhou o título de “maldito” tanto pelos excessos etílicos/cocainômanos quanto por uma poesia que privilegiava os aspectos mais sombrios da vida e da humanidade.
 
Filho de pai maestro, cantor e compositor, Sérgio desde cedo teve interesse por música. Seu relacionamento tempestuoso com o pai marcou toda sua vida e carreira. Isso mais o isolamento geográfico (capixaba de Cachoeiro de Itapemirim, terra do Roberto Carlos e longe  dos grandes centros culturais) podem dar uma pista das origens da personalidade hedonista e arredia do artista.
 
Sociedade da Grã Ordem Kavernista
A grande guinada na vida de Sérgio foi sua mudança para o Rio de Janeiro no final da década de 60 , onde conheceu as melhores mentes da contracultura nacional e virou hippie. Tendo gravado alguns compactos e dono de uma imagem bastante dropout chamou a atenção do até então produtor musical Raul Seixas. Raul gravava artistas bregas e românticos mas queria desesperadamente fazer um disco anárquico e avant garde, nos moldes do que o Frank Zappa havia fazendo lá fora. Além de Sérgio, Raul também recrutou uma bichona, Eddy Starr; e uma sambista de interpretação nada convencional, Miriam Batucada. O quarteto gravou o  antológico “Sociedade da Grã Ordem Kavernista”, um dos grandes tesouros perdidos do nosso udigrudi.
 
Raul Seixas e Sérgio Sampaio durante a gravação do primeiro álbum-solo de Sérgio
A amizade de Raul com Sérgio rendeu muita bebedeira, pó e putaria pelas ruas do Rio de Janeiro, com Raul uma vez afirmando que perto de Sérgio Sampaio, ele se sentia um coroinha. Além disso Raul Seixas também produziu o primeiro LP solo de Sérgio, “Eu quero é botar meu bloco na rua”, que aproveitava o título do compacto de sucesso lançado por Sérgio um pouco antes . É o disco mais rock dele e também o mais instantaneamente fácil de gostar.  A base musical de Sérgio Sampaio eram o samba e os boleros de Nélson Gonçalves mas o resultado rock ficou orgânico, como mostram a mais raulseixista do disco, “Viajei de trem”, repleta de imagens poéticas drogadas e a empolgante “Filme de terror”, primor de interpretação, letras e arranjos. Há também influências do  Caetano Veloso tropicalista por todo o álbum, como em “Leros e boleros”. Sua relação de amor e ódio com seu pai rendeu duas obras-primas: a misógina “Cala a boca, Zebedeu”, regravação do velho e “Pobre meu pai”, um acerto de contas com o passado dos mais dolorosos. A capa também chama atenção, com Sérgio posando de vampiro andrógino e o logotipo do seu nome em vermelho pingando sangue. Sérgio, grande fã de Edgar Allan Poe, Baudelaire, Augusto dos Anjos foi talvez nosso maior gótico.
 

Em 1976 mais um disco, “Tem que acontecer”, em que a faixa-título é uma lamentação a mais um fim de relacionamento amoroso fracassado (ele teve muitos). Esse disco é mais ligado ao samba e à tradição dor de cotovelo. “Velho bandido” é a grande obra-prima do disco, onde não se sabe onde termina o personagem e a persona do próprio Sérgio.  
 

Somente em 1982 é que ele gravaria  um novo LP, chamado de “Sinceramente”, um disco menos carregado emocionalmente e que pode ser interpretado como uma tentativa de sobriedade (“Homem de 30”). Lançado de forma independente, é um disco, mais intimista que os anteriores e cheio de grandes pérolas (“Nem assim”, “Tolo fui eu” , o lindo arranjo de sintetizadores de “Meu filho, minha filha”...).
 

“Sinceramente” foi também seu último LP, passando daí por diante a sofrer cada vez mais as consequências de uma vida de excessos e é também o momento mais crítico de sua decadência. Fazendo shows esporádicos (Sérgio não tinha organização para gerir sua carreira) e mergulhando em vícios e paixões, lançava materiais esparsos. Apesar disso, planejava seu grande renascimento das cinzas, o que nunca aconteceu. Bastante irregular, alternava grandes êxitos, lotando algumas importantes casas de show pelo Brasil e outros de miséria, necessitando da ajuda de amigos e parentes para sobreviver.
 
Sua situação com as drogas o levaram a sucessivas internações. A última foi em 1994, em que morreu de pancreatite aguda.
 

Deixou considerável material inédito gravado, que é compilado por Zeca Baleiro e se transforma no CD “Cruel”como tentativa de manter viva a memória do artista e que contém também algumas de suas melhores músicas, como “Roda Morta”, uma de suas mais conhecidas e apreciadas.
 

Em tempos de trabalhos musicais rasos e ralos, ouvir algo tão denso e pungente tem efeito devastador, pro bem e pro mal. Qualquer tempo gasto com Sérgio Sampaio não é em vão. Autoral, entregou a alma como poucos e  fez sua música ter outra dimensão.  Não fazendo concessões e não dando trégua ao ouvinte, é um dos contatos mais íntimos através da música que se possa ter. É o máximo que podemos suportar de treva e beleza.

Download - Discografia

Catharsis - Quando o hardcore se torna épico...


Dessa vez no Bad Music farei um post de uma banda que acho deveras especial, falaremos de um grupo de músicos que deu um novo molde ao hardcore, vamos falar dos americanos do Catharsis. O grupo é conhecido pela participação de alguns membros no coletivo anarquista Crimethinc, que lança discos e livros independentemente, além de manifestos sobre liberdade individual. Como tenho pouco conhecimento sobre o material desse coletivo, pretendo focar esse post apenas na banda e sua musicalidade, vamos lá então:


Formado em 1994 em Chapel Hill, Carolina do Norte, o grupo constava com Brian Dingledine nos vocais e Alexei Rodriguez nas baquetas, além Mark Dixon e Christopher Higgins assumindo baixo e guitarras respectivamente. Com essa formação gravaram a demo Fall, que já demonstrava uma mescla de hardcore com timbres e andamentos mais típicos do metal. Depois de mudanças na formação, foi gravado um EP em 1995 e um álbum em 1996, ambos tendo o nome da banda como título. 


Nesses trabalhos nota-se que uma evolução no som do grupo, os vocais de Brian estão cada vez mais rudes e tendendo aos guturais ao invés de meros gritos típicos da cena na época, Alexei já começou a fazer linhas de baterias com bastante bumbo duplos. Nas influências de notam toques de Integrity, Starkweather, His Hero Is Gone, Breakdown (o qual fazem um cover) e até mesmo Amebix. Depois mais mudanças ocorreram na formação e assim começam as gravações do seu segundo álbum: Samsara



Samsara saiu em 1997 e já chama a atenção na primeira faixa, com um canto de ópera e pianos seguidos de um feedback, seguido da faixa Exterminating Angel, com isso já notamos que o Catharsis demonstra uma evolução sonora gigantesca. A ausência de refrão, mudanças de tempos, trechos em spoken word, blast beats e pedais duplos. As letras de Brian contem letras apocalípticas com mensagens políticas e anarquistas sobre a sociedade, ambiente e as transgressões que certas evoluções causam. Outro detalhe curioso nesse álbum é a existências de faixas com mais de 6 minutos (o que é absurdo quando falamos de hardcore), e nessas composições nota-se um quê de Neurosis.


Depois de Samsara, o grupo lançou o split Live In The Land Of The Dead que tem duas versões: uma com os americanos do Gehenna, outra que saiu numa colaboração com o selo brasileiro Liberation na qual eles dividem o split com os paulistas do Newspeak. Ambos os splits contem as mesmas canções ( The Sacred and Profane, What The Thunder Said e a arrastadíssima e atmosférica Unbowed).


Em 1999 o grupo lança seu terceiro álbum, Passion, dedicado ao guitarrista Dan Young que morreu durante as gravações. Agora o som está completamente amadurecido, as epopéias hardcore que seviam em Samsara atingem seu ápice aqui, faixas divididas em partes (como as dobradinhas Passion.../...Obsession e a Threshold com Duende). Faixas extensas, riffs arrastados, mais trechos declamados e até mesmo a existência de um reggae para quebrar o clima apocalíptico do álbum, Deserts Without Mirages, na qual Brian diz ser influenciado por Peter Tosh, além da canção ter declarações de uma música de Goodspeed You! Black Emperor. O álbum se encerra com a obra prima Sabbath (The Dervish Dance), uma obra quase esotérica e sampleando uma canção folclórica búlgara.


Após esse álbum, em 2001 o grupo gravou suas duas últimas canções  Arsonist's Prayer e Absolution, a primeira foi usada para um split com o grupo de post hc húngaro Newborn, enquanto a segunda nunca foi terminada, pois a banda encerrou as atividades. Em 2012 Brian Dingledine e Jimmy Chang gravaram os vocais e guitarras que faltavam em Absolution, em 2013 a banda se reuniu para fazer apresentações e lançaram o box-set Light From A Dead Star, contendo toda discografia da banda. Não se sabe se a reunião gerará um disco novo, mas os fãs ficam na expectativa. Veja um dos shows de reunião abaixo:


E ficamos por aqui, nos vemos no próximo post!

Download - Discografia

Deus Salve as Rainhas


O Queens of The Stone Age surgiu em 1996 e originalmente era formado por Josh Homme (V/G), Nick Oliveri (B) e Alfredo Hernandez (D), que eram ex-integrantes do Kyuss, banda que anos antes havia tido grande louvação pela crítica porém havia passado despercebida pelo grande público. A gestação do QOTSA ocorreu durante o que ficou conhecido como “Desert parties”, que eram jam sessions intermináveis organizadas pelo trio e feitas no meio do deserto californiano utilizando um gerador (qualquer semelhança com o Pink Floyd em Pompéia é mera coincidência!). Artistas das mais diversas vertentes musicais eram convidados para essas jams e nesse clima experimental inclusivista, foi de  onde surgiu a proposta mais universal do QOTSA.  A idéia era pegar o stoner rock ( subgênero de bandas que se inspiravam e também copiavam o som saturado e psicodélico de Black Sabbath e Blue Cheer) e fazer música com apelo moderno, que tivesse substância mas fosse também acessível ao ouvinte médio. Essa contradição arte/mercado foi e  é um dos principais charmes da banda, que era prá se chamar “Kings of the Stone Age”, mas que o nome foi considerado machista demais e ficou “Rainhas...”, que era mais de boa.
 

O primeiro material gravado veio em 1998, autointítulado. O disco da calcinha é o mais cru e despretensioso deles. E já de cara uma obra-prima! Os vocais sussurados e riffs robóticos de Homme (uma das abordagens mais criativas do instrumento desde a invenção da guitarra elétrica), o baixo estilo mamute de Oliveri e a bateria simples e eficaz de Hernandez trabalham em cima de composições perfeitas, misteriosas e lascivas. Nesse período tocavam em botecos e pequenos festivais, nem imaginando no que se tornariam. Mas como dizem que quem tem amigos não precisa de dinheiro, Josh Homme tinha alguns amigos e famosos, sendo Dave Grohl o maior deles. Tiete do Kyuss e grande divulgador dos artistas que gosta, não deixava de tecer elogios ao QOTSA quase que a cada entrevista do Foo Fighters.
 

Com excelentes críticas e a base de fãs crescendo consideravelmente, veio dois anos depois "Rated R". Já com vontade de conquistar um público maior, a banda vem com um som mais acessível, dando ênfase em refrãos e apostando na variação de vocalistas: Oliveri assume o vocal principal de diversas faixas, geralmente as mais punk estilo fio desencapado. É chamado também o ex-Screaming Trees Mark Lanegan, que faz uma espécie de irmão mais velho de doideira dos caras e que colaboraria também nos trabalhos posteriores. Uma curiosidade é que Josh Homme participou como músico contratado na última turnê dos Trees. Com um hino (a louvação às drogas “Feel the good hit of summer”, com direito a backing vocals do Rob Halford), esse disco teve bastante aclamação lá fora, o que fez com que passassem pelo Brasil no Rock In Rio 3, em 2001, numa desastrosa apresentação, onde os colocaram para abrir para medalhões do metal como Sepultura e Iron Maiden e sofreram total falta de respeito do público. Um fiasco, o que levou a banda a demorar quase 10 anos para voltar ao Brasil novamente.


Em 2002 há uma das mais felizes combinações musicais, como também uma senhora estratégia de marketing: Dave Grohl grava um disco com a banda. Não só um disco, mas o maior álbum do milênio até agora. Era só o que o QOTSA precisava para ganhar o status de mega, com o baterista de uma das bandas mais influentes de todos os tempos dando aquela força. Mas de nada adiantaria a ajuda de Grohl se o material não fosse de primeira. E “Songs for the deaf” com sua atmosfera freneticamente tensa, bruta, cínica e escapista é um arregaço, não deixando pedra sobre pedra. Durante a turnê de "Songs...", Nick Oliveri sai da banda, o que redirecionou o som do grupo e  repercute até os dias de hoje. Sim, o cara faz muita falta!
 

Um clima deprê é a tônica do próximo lançamento, "Lullabyes to paralise". Apesar de ter algumas músicas muito boas, no geral  é um álbum arrastado e o primeiro vacilo na carreira deles.
 
Natasha Shneider, a tecladista de origem russa que ajudou a formar a cara do Queens pós-saida -do-Oliveri. Morreu precocemente de câncer aos 52 anos, em 2008, sendo homenageada com um show. 
Com as críticas fracas e estranhamento de boa parte dos fãs, Josh concentrou forças para o lançamento do próximo álbum, o ótimo "Era Vulgaris", que é bem mais rock e que consegue manter o nível pelo disco todo, tanto por algumas músicas que viraram hits da banda como por pérolas escondidas por todo o álbum.
 
QOTSA versão 2014
Um hiato de 5 anos e em 2013 vem o aguardado “Like clockwork”, num estilo paradeira que remete ao clima do “Lullabyes to paralise”. Mesmo assim é obrigatório, como todo disco da banda, possuindo composições fortes e emocionantes. Para a turnê desse disco o  QOTSA vem ao Brasil pela quarta vez para duas apresentações, o que sempre causa bastante expectativa e  furor. Verdade seja dita, depois da saída do Oliveri a banda nunca mais foi a mesma, mas até esse QOTSA mais domesticado que anda pela Terra é infinitamente superior e mais interessante a tudo o que o aconteceu no rock mainstream depois do surgimento deles. Josh continua tocando o puteiro!

O que que tá pegando? (Rio Grande do Sul)


Finalmente, depois de um BOM tempo sem escrever nada por aqui, faço meu retorno. Bem, estou nos momentos finais de minha faculdade e antecipei minha monografia, por isso me ausentei da página por um tempo, mas vamos ao que interessa agora.

Já tava a um tempo planejando fazer esse post, creio que vai ser uma parada meio mensal ou rotineira, pois quero fazer dessa coluna um boletim sobre o que tá rolando aqui no estado ( no melho estilo "Scene Report" da Maximum Rocknroll). Sem falar pros leitores de outras regiões saberem o que rola de bandas interessantes por aqui. Vou tentar ser o mais amplo possível e falar até de gêneros que não é de praxe da nossa página, então vamos lá:


SNOW TWINS


Vindos de Osório, eles são uma dupla (ou casal, como preferir chamar) que, mesmo com um visual e formação que fazem parecer que são um White Stripes da vida, vão destruir suas expectativas. O som dos caras é um garage rock fuderoso, no melhor estilo Detroit 69 que deixariam os Stooges e MC5 orgulhosos. No momento eles tem um álbum e 2 músicas novas, quem quiser escutar e acompanhar os caras é só ver o facebook deles para mais informações. Pois o rock'n'roll está vivo e muito bem, obrigado.


DEVIR


Vindo de Santa Cruz do Sul, o quarteto faz um hardcore/post hardcore na vibe de grupos como Husker Du, Cap'n'Jazz e At The Drive In ( além de um arzinho D.C. da linha do Rites Of Spring, Embrace e afins). Arranjos simples, melódicos e bem construídos, letras bem escritas e com assuntos até curiosamente politizados pra o gênero, como legalização da prostituição(PL 98/2003) e a vida de crianças em zonas de guerra( Forgotten). Os caras agora lançaram um álbum com 7 canções que pode ser escutado e baixado de graça neste link, quem quiser saber mais informações da banda só seguir o facebook dos caras.



INFINITUM 


Saindo um pouco do eixo de sons mais hardcore/roque selvagem/metal do blog, vamos falar da Infinitum. O quinteto de Porto Alegre é do polêmico(?) gênero do metalcore, mas o grupo tem uma vibe um pouco diferente do esperado. Os breakdowns e vocais melosos estão ali? Sim, estão, mas o modo que eles são elaborados saem um pouco das fórmulas permeadas que permeiam o estilo, sem falar dos assuntos das letras, no caso do single Aames, cujo nome e conceito foram inspirados pelo filme Vanilla Sky. No momento eles estão para lançar um EP, mas o grupo já tem 2 músicas na rede e quem quiser acompanhar ou saber mais dos caras só seguir o facebook deles. Para quem curte um som na pilha de bandas como Architects, Northlane, Tesseract e A Última Theoria, sinta-se servido.




ALÉM DO FIM


Mais uma da curiosa safra metalcore que tem por aqui, com influências que vão da nova geração do gênero como Parkway Drive e While She Sleeps, passando pro deathcore do Suicide Silence e Chelsea Grin e tentando trazer um pouco do tal do djent praticado por bandas como Volumes e Northlane. Os caras já lançaram um EP ano passado e o debut está pra sair esse ano, para mais informações do grupo só seguir o facebook dos caras. Mais um nome diferenciado pra geração que prefere breakdown, vale lembrar também que o EP dos caras estava na minha lista de melhores lançamentos de 2013.


ROTTEN FILTHY


Thrash/Death de Cachoeira do Sul, a banda tem uma influência dos sons do Cavalera (Soulfly, Sepultura, Nailbomb) e toda geração mais moderna do thrash, como Machine Head. Mas mesmo de tanto metaleirismo, há uma influênciazinha hardcore. Os caras lançaram um EP chamado Empires Will Fall e ainda esse ano também lançam o seu primeiro álbum, Inhuman Sovereign. Quem quiser saber mais dos caras só checar o facebook deles.


BAD TASTE



Death Metal massacrante de Cachoeirinha. Na vibe de monstruosidades como Cannibal Corpse, Dying Fetus e Decapitated os caras fazem uma sonzeira brutal, rápida e técnica sem soar entediante, trilha perfeita para quebrar dentes. Os caras já tem um EP e estão compondo músicas para um trabalho novo, na qual um dos singles já saiu. Mais informações da banda só acompanhar o facebook do grupo.




EVERYONE GOES TO SPACE



O trio porto alegrense faz um pop punk/emocore na linha das bandas clássicas do gênero como Jawbreaker e Sunny Day Real Estate, extremamente melódico simples, calmo e relaxante. A demo é um daqueles discos que você dá o play, fecha os olhos, se deixa levar pela música e milhões de pensamentos passam pela cabeça. Aqui está o facebook dos caras para saber mais, desfrutem.


DPSMKR



Um cara (ou mais) de Porto Alegre, uma guitarra, muita psicodelia e loops. Não preciso dizer mais nada, dá o play e se deixe levar pela chapação sonora do cara, em 3 anos de existência o projeto já teve 6 "álbuns" que podem ser baixados e escutados online no bandcamp dele. Dpsmkr também lança alguns materiais físicos, mas são em quantidades absurdamente limitada (o debut tinha 20 cópias, por exemplo), acompanhado de fotos. O negócio é uma experiência audiovisual hipnótica e transcendental, escute pelo menos uma vez apenas pela experiência. Aqui tá o facebook para mais informações, caso queira cópias do cd ou ver algum dos raríssimos shows do projeto.


Por enquanto é isso, haverão outras sessões do "Que que tá pegando, RS?", pois tem MUITA coisa que deixei passar, creio que farei isso mensalmente (ou bimestralmente). Nos vemos na próxima e espero que curtam minhas trocentas recomendações, apoie a cena que você acha que merece ficar viva.